Algum sentido: adiando o inevitável na jornada
Diferentemente das inúmeras abordagens que foram realizadas nestes trinta artigos desde que comecei a escrever neste espaço, hoje gostaria de compartilhar com você caro(a) leitor(a), algumas palavras que construí em um texto há um tempo, e que vieram à tona neste ano, na semana da Páscoa.
Sei que não estamos em período alusivo a esta data, contudo, o presente texto tem o objetivo de trazer alguns elementos que nos conduzirão a uma jornada necessária. Digo isso, porque certa vez, ouvi uma frase na qual o interlocutor dizia: uma vida que não é analisada, não vale a pena ser vivida. Neste sentido, seguimos!!!
Existe uma busca dentro do coração das pessoas, o mínimo necessário. Contudo enquanto não se encontra há uma constante insatisfação em relação a algo, alguém ou alguma coisa, porque parece que num primeiro momento tudo vai bem. É quando no instante do vento, que vem com as tempestades, nos vemos dentro dela, sabendo ou não, reconhecendo ou não, onde está firmada a nossa vida.
Ah, dirão alguns, mas a vida é assim, de altos e baixos. As vezes está tudo certo, as vezes não. Quando alguém busca, busca por motivações, conhecidas ou não, e mesmo assim é compelido(a) a ir nessa jornada. O que nos motiva, o que nos impulsiona, onde está nossa vida? Em quais lugares andam nossos pensamentos, até que ponto saímos da espiral, onde tudo parece não ter fim, as vezes até parece que já vimos este filme.
Contudo ainda lá dentro a alma procura algum lugar, onde não exista sede ou fome, e ela possa ser saciada, mesmo diante da tempestade. Sem sombra de dúvida, vem a noite escura da alma, pois é nela que somos conduzidos a se silenciar e perceber que no final das contas, não se trata das pessoas, mas de quem nós somos ou nos tornamos até chegar a este ponto.
Continuamos na jornada, muitas vezes orgulhosos de si mesmos, pelas conquistas, lugares, experiências, relacionamentos e tudo o mais que fomos ajuntando ou colecionando na estante de nossa memória, de nossas almas. Com toda certeza isso tudo traz consigo, algum valor, há valor em cada conquista, em cada relacionamento, em cada experiência, mas tudo isso, se formos sinceros o suficiente, que foi para nos tratar, um modo de nos transformar e nos tornar melhores.
Há uma medida que foi posta em cada coração, para ser compartilhada e transbordar – isso se chama vocação, é necessário antes a reparação, e ela passa pelo próximo, que é um instrumento de nosso desbaste – como diria Salomão: assim como ferro com ferro se afia, assim acontece em nossas relações. Se não soubermos onde está o nosso coração, não saberemos qual é o nosso tesouro e ele ficará a mercê das circunstâncias, que podem se agravar ou não. É sempre sobre a possibilidade da escolha, o livre-arbítrio, razão e vontade, pensar e agir – em relação a nós e nossos semelhantes.
Engraçado (modo de dizer), que enquanto tudo vai aparentemente bem, nós temos a facilidade de não nos devotarmos com veemência resoluta numa vida posta num firme fundamento, até que vem a inquietação ou o desconforto: alguém adoeceu, outro morreu, um outro se envolveu com coisas que causam problemas para as pessoas que convivem com ele/conosco, e por aí vai. Como diz um amigo, o problema só muda de CPF, mas está em todo lugar.
Está em algum lugar a resposta para aquilo que talvez estamos procurando nas circunstancias em que vivemos no momento. A vida para muitos foi cercada de ilusões, para dopar a mente e seguir adiante, entretanto, o ajuizamento vem, seja aqui, na hora da morte ou no lugar reservado para isto. O nosso retorno a Fonte é o que nossa alma busca, voltarmos para Aquele nos fez. Ocorre que motivado por paixões desordenadas e dando vazão a quimeras e fórmulas de autorrealização, compromete-se o castelo ou se edifica a vida sobre a areia.
O que nos mata é o nosso orgulho, aí quando somos feridos, se formos sinceros, poderemos ser restaurados. As vezes podemos ser enganados por exterioridades, porque há muita aparência de piedade, mas se a verdadeira motivação não for uma vida que reconhece a sua própria pequenez (não no sentido de inferioridade), nada vale. Talvez esteja nisso o significado de que: “Enquanto muitos adiam indefinidamente o momento de começar a carregá-la (a sua própria cruz), isso vai acumulando um peso em nossas vidas”.











