Ah, os tempos modernos! Nada como a sensação de abrir uma rede social e se deparar com a última grande novidade que promete ser a salvação digital de nossas almas – ou pelo menos dos nossos “likes”. Começou com o poderoso dono do X (antigo Twitter) mudando de nome daquela que era uma importante ferramenta. Para ele, era mais importante mudar o nome da rede do que melhorar a experiência do usuário (e quem sou eu pra questionar esse raciocínio?), muita gente anda por aí desolada, de dedo em riste, procurando o botão de retweet que não existe mais. Pobres almas que, no labirinto digital.
E não pense você que as novas redes sociais são só mais uma brincadeira de adolescentes entediados. Não, senhor! Elas vêm com a missão sagrada de moldar as mentes, os corações e até o bolso da nossa querida pátria. Veja só: não basta mais ser um “influenciador”. Afinal, hoje, até o conceito de influência foi influenciado. No lugar das velhas celebridades, gloriosas em suas capas de revistas, agora temos um novo panteão, composto por especialistas e, é claro, nossos familiares – esses seres divinos que sabem tudo sobre tudo, inclusive qual vacina você deve ou não tomar.
O curioso é que, segundo um certo estudo (que ninguém vai lembrar o nome, mas todo mundo vai citar), apenas 21,5% dos brasileiros têm o bom senso de seguir suas celebridades favoritas. Outros, mais espertos, preferem confiar no conselho de quem realmente importa: o primo do amigo que viu um vídeo de três minutos e já virou especialista em geopolítica global. Claro, porque, numa era onde a ciência é refutada por memes, o que mais poderíamos esperar?
Enquanto isso, no cenário político nacional, onde o real teatro do absurdo acontece, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que também quer entrar no jogo da influência. Afinal, se você pode mudar as regras do Twitter – ou do X, ou seja lá o que for – por que não poderia o STF redefinir quem manda no país? Presidentes, senadores, deputados? Ah, que piada de mau gosto! O verdadeiro poder está onde sempre esteve: nas mãos de quem consegue influenciar o algoritmo do Estado brasileiro. E o algoritmo, meus amigos, está rodando solto. É quase poético: o Brasil não precisa mais de eleições, precisa de atualização de software.
Voltando ao que interessa – porque, sejamos francos, quem liga para política quando o Instagram está bombando? – descobrimos que a maioria dos brasileiros só quer saber de uma coisa: vídeos curtos. Sim, isso mesmo. A solução para todos os nossos problemas está em clipes de 30 segundos onde alguém ensina a fazer um bolo de caneca enquanto critica a reforma tributária. Porque é claro que o engajamento é a moeda da vez. Basta perguntar para qualquer marqueteiro que, com uma planilha aberta e um discurso polido, vai te dizer que “qualidade de conteúdo” é o novo petróleo.
Agora, sejamos honestos: quem ainda está disposto a postar algo três vezes por dia, se os especialistas afirmam que o importante mesmo é qualidade? Eu também quero acreditar nisso, mas entre um post e outro, o desespero bate, e a gente acaba comprando um curso online de “como aumentar seu engajamento” – que a gente nunca assiste, claro, porque um vídeo tutorial de 20 minutos é praticamente um épico nos dias de hoje.
O que seria da vida sem essas fugazes atualizações que nos dão a impressão de estar a par de tudo, enquanto, na verdade, estamos todos perdidos no labirinto digital? Talvez um dia, daqui a alguns anos, olhemos para trás e lembremos com carinho daquele tempo em que podíamos mudar o mundo em 140 caracteres. Até lá, seguimos procurando nossa influência perdida, nas redes sociais, na política, e quem sabe, um dia, na vida real. Mas não aposte suas fichas nisso.











