O Brasil vive uma crise silenciosa de saúde mental. Em 2024, foram registrados quase meio milhão de afastamentos do trabalho, O impacto financeiro dessa realidade tornou-se praticamente impagável para os cofres públicos.
Na tentativa de minimizar esses custos, o Governo Federal atualizou, em 2024, a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), com vigência plena a partir de maio de 2026. A norma tornou obrigatório o cuidado com a saúde mental nas empresas brasileiras.
Na prática, porém, o que se observa é uma divisão da responsabilidade pelo cuidado com a saúde mental dos trabalhadores entre o Estado e as empresas, que já enfrentam um cenário de crescentes obrigações fiscais e financeiras.
Após a pandemia, vivemos um adoecimento coletivo. O acesso a psicólogos e psiquiatras pela rede pública é extremamente limitado. Muitas pessoas aguardam até seis meses por uma consulta com psiquiatra, e nem todos os medicamentos para depressão estão disponíveis nos postos de saúde. O que o país precisa, acima de tudo, é de uma rede pública fortalecida, com médicos, psiquiatras e psicólogos em número suficiente para atender a população, além de um acolhimento digno e eficaz para quem busca ajuda.
De acordo com o advogado tributarista, consultor e auditor de ISO-9000, Dr. Josmar de Maria, as recentes alterações na NR-1 impactam diretamente o fluxo de caixa das organizações. Contudo, a participação ativa da iniciativa privada é indispensável, uma vez que as empresas são movidas por pessoas. O capital humano representa o ativo mais valioso de qualquer grupo, e o adoecimento mental do trabalhador gera reflexos imediatos na performance produtiva, no clima organizacional e na estrutura familiar do colaborador.
Nesse novo cenário, o papel das empresas é fomentar a saúde psicossocial por meio de programas internos contínuos e conscientização. É fundamental capacitar as lideranças para que identifiquem sinais de alerta e encaminhem os casos aos comitês responsáveis, garantindo as providências necessárias para minimizar impactos. A gestão deve ser pautada em protocolos claros, incentivando o autocuidado e oferecendo o suporte necessário àqueles que precisam de ajuda.
Para garantir a segurança jurídica e operacional, as empresas devem prezar pela formalização e documentação de cada etapa desses processos, gerando evidências robustas de conformidade. É altamente recomendável que as organizações busquem o suporte de profissionais especializados, como psicólogos, advogados e consultores de RH. Essa abordagem multidisciplinar assegura que a gestão administrativa seja técnica, humanizada e esteja devidamente protegida contra riscos legais.
Sandra Campos perdeu há dois anos seu filho de 24 anos para o suicídio e se tornou uma ativista pela vida com o Projeto “Não te julgo, te ajudo!” Ela se coloca à disposição para ouvir, gratuitamente, pessoas em sofrimento. Celular: (11) 94813-7799











