Uso recreativo do medicamento preocupa médicos e cresce entre homens sem disfunção erétil diagnosticada
Usada originalmente no tratamento da disfunção erétil, a tadalafila vem sendo consumida de forma indiscriminada por homens jovens e até frequentadores de academia, que buscam melhorar o desempenho físico ou garantir segurança sexual em encontros casuais.
A facilidade de compra sem receita e a falsa sensação de benefício imediato acendem um alerta. Para o urologista Fábio Borges, o uso sem indicação médica é perigoso e pode provocar efeitos colaterais sérios, além de uma dependência emocional difícil de reverter.
A tadalafila é um vasodilatador que age na inibição da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), responsável por degradar o óxido nítrico, substância que promove a dilatação dos vasos sanguíneos no pênis durante a ereção. Ao impedir a ação dessa enzima, o medicamento mantém a vasodilatação por mais tempo, facilitando a ereção. Embora seu uso principal seja o tratamento da disfunção erétil, a substância também tem eficácia comprovada no tratamento de hipertensão pulmonar e alguns distúrbios urinários associados à próstata.
Riscos
Porém, nos últimos anos, a substância passou a ser utilizada por motivos que nada têm a ver com essas indicações. Segundo Borges, muitos jovens passaram a consumir a medicação sem prescrição com a intenção de melhorar o rendimento em treinos de musculação ou evitar falhas durante encontros íntimos. “Na academia, antes usavam o nitrato, que tem pouca evidência científica, depois migraram para a tadalafila com a ideia de que ela manteria o nitrato agindo no corpo. Só que, se o corpo não produz nitrato naquela situação, o medicamento simplesmente não faz efeito. A pessoa se expõe aos riscos, mas não tem benefício nenhum”, explica.
Entre os perigos, está a possibilidade de descompensação clínica em pessoas com problemas cardíacos. Como é um vasodilatador potente, a tadalafila pode causar queda de pressão e complicar quadros de insuficiência cardíaca, cardiopatias isquêmicas e outras condições cardiovasculares graves. “Se a pessoa infarta mesmo com o medicamento agindo, significa que a obstrução é crítica. A mortalidade nesse tipo de infarto é muito mais alta”, alerta o médico.











