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Hugo Zago da Silva

Nárnia: um antídoto contra os males

Ao ler Chesterton, eu não sabia no que estava me metendo. Um jovem que quer permanecer ateu deve ter cuidado com uma leitura dessas. Quando eu li o livro ‘O homem eterno’, de Chesterton, foi a primeira vez que eu vi a visão cristã da história de uma forma que fizesse sentido para mim.
O relato acima é fruto de uma conversão racional, natural e orgânica. O escritor que proferiu estas palavras é C.S. Lewis, dele falaremos hoje caro(a) leitor(a), destacando alguns de seus pensamentos. Vale lembrar que estamos no século XX, entre pessoas, situações e ações de influência no cenário mundial. Neste dia, um dos luminares literários irá nos agraciar com um pouco de lucidez, pois, o que se apresenta em nossos dias, pode, em muito, ser aplicado as nossas circunstâncias.
Mas afinal, quem foi C.S. Lewis? No C.S. Lewis Institute podemos ler que Clives Staples Lewis nasceu em 1898 em Belfast, Irlanda e morreu em 1963, apenas sete anos depois de completar As Crônicas de Nárnia. Quando ele tinha nove anos, a mãe de Lewis morreu, e ele e seu irmão foram enviados para uma série de internatos. Embora criado como cristão, Lewis perdeu a fé quando era adolescente. Apesar de ter sua educação interrompida pela Primeira Guerra Mundial, Lewis se formou em Oxford.
O escritor C.S. Lewis ganhou reputação como um estudioso medieval e renascentista e como um escritor cristão de grande influência. Depois de vinte e nove anos em Oxford, em 1954, Lewis tornou-se Presidente de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge e lá permaneceu até se aposentar. Entre os livros mais conhecidos de C.S. Lewis estão Mere Christianity , The Screwtape Letters , The Four Loves e The Chronicles of Narnia .
Dentre algumas pessoas que exerceram influência sobre a sua conversão estão, J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis) e G.K. Chesterton (abordamos na edição nº 2816, 09/08/2024, com o título ‘Diante da eternidade’). Da amizade com o autor de ‘O Senhor dos Anéis’, deixou o ateísmo e se tornou teísta. Ao acreditar em Deus, Lewis não se tornou cristão imediatamente, mas após um período de estudos e meditação. Contudo, Chesterton, o apologista católico, foi uma das suas principais influências, e que deu origem a citação no início deste artigo.
Um destaque importante sobre os três autores, é o trabalho produzido pela Brasil Paralelo, com o tema, A Guerra do Imaginário. Chesterton, Lewis e Tolkien foram os maiores oponentes das ideias de Nietzsche, Bernard Shaw, H.G. Wells e todos os autores que declararam a guerra silenciosa para manipular a linguagem, distorcer conceitos, criticar o cristianismo e desordenar o imaginário ocidental (Brasil Paralelo, 2022).
Outra curiosidade sobre Lewis é destacada por Liliane Silva. Ela explica que em 1942, com o terror da Segunda Guerra Mundial, a BBC de Londres convida o veterano de guerra C. S. Lewis para levar conforto aos corações abalados por tal horror, com palestras sobre a fé cristã transmitidas pelo rádio, posteriormente publicadas em três partes: Palestras de rádio (Broadcasts Talks) em 1942, Conduta Cristã (Christian Behaviour) em 1943 e Além da personalidade (Beyond Personality) em 1944. Hoje estão reunidas no livro Cristianismo puro e simples, um clássico da literatura cristã que todos deveriam ler, independentemente de sua religião.
O início da obra mencionada, é voltado para a filosofia. Nela, o autor aborda o cristianismo a partir de uma perspectiva simples, um olhar aberto à realidade, sem falar de religião. No transcorrer desta obra, ele gradualmente aborda sobre como o sobrenatural se relaciona de maneira orgânica com a realidade cotidiana. Em um dos trechos da obra, ele diz:
“Meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirei essa ideia de justo e injusto? ”.
Voltando à Nárnia! Nesses contos Lewis tratou de temas cristãos, e também, aspectos morais, literários e questões fundamentais da vida, sobretudo, escolhas. Segundo McGrath, além de algumas peculiaridades acerca da vivência, elas tratam da virtude, não apenas da busca de explicação e do entendimento.
Esse talvez seja o fator que explica seu forte apelo: elas falam de escolhas a fazer, de certo e errado, e de desafios a enfrentar. Todavia, essa visão de benignidade e grandeza não é exposta como uma argumentação lógica ou raciocinada; é, antes, afirmada e explorada por meio da narrativa de uma história – uma história que prende a imaginação (MCGRATH, 2013, p. 284).
No mais, transcender não é escapar, do contrário, retornar a sintonia que havia antes da queda, e foi restaurada através de um ato meritório, não nosso, mas D’Aquele que sendo Deus, se fez Homem, e habitou entre nós, ou nas palavras de uma testemunha ocular: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.