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Editor Chefe:
Reinor Marcolino (Reg.SC 02.423-JP)

Assessoria Jurídica:
Diógenes Luiz Mina de Oliveira (OAB/SC 26.894)

Hugo Zago da Silva

Não com um estrondo, mas com um gemido: a cultura do declínio

Assim expira o mundo. Assim expira o mundo. Assim expira o mundo. Não com uma explosão, mas com um suspiro.
O trecho acima vem da obra de T.S. Eliot (1888-1965), um poeta, dramaturgo e crítico de língua inglesa, considerado um dos representantes mais importantes do modernismo literário, tendo recebido o Prêmio Nobel de Literatura de 1948.
Um tema relativamente constante na obra de T. S. Eliot é a relação da cultura com a tradição, pois compreendia como extremamente importante o cuidado com a tradição e com os costumes. T. S. Eliot percebeu que havia uma decadência cultural na Inglaterra. Por esse motivo, é possível identificar na obra de T. S. Eliot diversas críticas à sociedade de sua época, que abandonava a tradição em favor de um pretenso “progresso”.
Bom, e hoje, caro(a) leitor(a), apresentaremos uma das inúmeras obras, de T.S. Eliot, bem como alguns trechos que nos serão relevantes para a nossa reflexão. A obra em questão se chama – Notas para a definição de cultura. E com esta constatação o autor nos alerta: “Podemos afirmar com alguma convicção que o nosso próprio período é uma era de declínio; que os padrões de cultura são inferiores em relação aos que eram 50 anos atrás; e que as evidências deste declínio são visíveis em cada segmento da atividade humana”.
Ora, mas o que significa CULTURA, e qual declínio o autor se refere? Primeiramente vamos compreender o que é cultura, na concepção que forma o sentido desta palavra. Cultura é uma palavra de origem latina que significa “ação de tratar”, “fazer crescer”, “cultivar”. A palavra também é utilizada na agropecuária justamente por se originar nessa área.
Em Notas para a definição de cultura, T. S. Eliot demonstra que cultura, é uma criação da sociedade como um todo. Ela se expressa em cada indivíduo e em cada classe ou grupo social, mas está subordinada à sociedade que exerce um papel fundamental. Cultura não é a soma de diversas atividades, mas um modo de vida. É aquilo que torna a vida merecedora de ser vivida, uma civilização digna de sua existência.
Perceba o(a) leitor(a) que no ponto anterior, a palavra cultura migra do campo, da terra, da atividade agrícola para a associação com uma ordem existente no universo e a vida interior do homem. Neste sentido, o homem tem o dever e a possibilidade para cultivar sua alma, semelhante ao cultivo do campo que desenvolve a natureza, para alcançar uma vida realizada.
Em linhas gerais, a obra de T.S. Eliot, trata da cultura sobre três perspectivas, a saber, a cultura como um modo de vida, a cultura como tradição e a cultura como criação. No primeiro ponto, a cultura é definida como um modo de vida compartilhado por um grupo de pessoas. Ele argumenta que a cultura não é algo estático, mas sim algo que está em constante transformação e mudança. A cultura é moldada pelas experiências, valores e crenças das pessoas que vivem em uma determinada sociedade.
Já no segundo ponto, discute a importância da tradição na cultura. Ele argumenta que a tradição é essencial para a continuidade e a identidade de uma cultura. A tradição fornece um senso de pertencimento e de propósito para as pessoas que vivem em uma determinada sociedade.
E na abordagem da cultura como criação, Eliot, argumenta que a cultura é um processo criativo que está sempre em andamento. A cultura é criada pelas pessoas que vivem em uma determinada sociedade, e é moldada por suas experiências, valores e crenças.
O resultado esperado na compreensão deste processo, se dá quando a palavra cultura passa a designar os fatores que predispõem o homem no processo de desenvolvimento da alma, e somado a isto, seu conjunto de crenças, leis e artes que existem na sociedade em que a pessoa nasce, influenciando e orientando suas vidas.
Fica claro que são três, as condições para uma cultura em determinada civilização. Uma delas é a sua estrutura orgânica, a promoção na transmissão hereditária de cultura dentro da própria cultura. A outra é a possibilidade de identificar e analisar geograficamente, os regionalismos característicos de culturas locais. E por último, o equilíbrio entre unidade e diversidade na religião, a universalidade de sua doutrina (culto e devoção).
“Trocando em miúdos”, a cultura pode mesmo ser descrita simplesmente como aquilo que torna a vida digna de ser vivida, nas palavras de T.S. Eliot. Em contraposição, você já ouviu falar de pessoas que se identificam como animais? Este fenômeno crescente tem ganhado atenção tanto na mídia quanto nas comunidades especializadas. Falaremos mais. Por ora, entre raposas sem caldas e bodes galopantes, o que outrora esteve nas sombras, agora vem emergindo de forma avassaladora.
Sem realizar a busca, da unidade do conhecimento, na unidade da consciência (proposta de OdeC no COF), incorresse no risco de alimentar uma convicção cega e amolada, ou seria, atordoada?