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Hugo Zago da Silva

Elas contra elas: os ideais feministas e as mulheres reais

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, na quarta-feira (19), uma proposta que torna obrigatório o conteúdo feminista nos currículos escolares do ensino fundamental e médio. O projeto, de autoria da deputada Tábata Amaral (PSB-SP), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O texto ainda precisa ser apreciado na Comissão de Educação antes de ir para o plenário do Senado.
A descrição acima se refere a um projeto para a inclusão no currículo escolar da pauta feminista e foi noticiado no portal G1 no dia 26/06/2023. Segundo a notícia, o senado irá apreciar o projeto que prevê nas escolas, o estudo de mulheres na história e o olhar feminino nas ciências e artes. A proposta ainda precisa ser analisada pela Comissão de Educação. A ideia é que escolas ‘resgatem as contribuições, as vivências e as conquistas femininas’.
Imaginemos agora como isso pode se relacionar com uma mentalidade que preconiza, o relativismo moral, a anarquia social, o fim da propriedade privada e a defesa da satisfação dos prazeres carnais e pessoais como o ápice da felicidade. Um homem, seu nome é Willian Godwin, ex-pastor calvinista que abandonou o seu ministério, a fé e a igreja, tornando-se um cético e um ateu convicto, anti-Igreja e anti-religião.
Este homem, caro(a) leitor(a) foi um dos primeiros autores a defender a igualdade de gênero de forma sistemática. E é sobre este tema que iremos discorrer no artigo desta semana – o feminismo. Não trataremos exaustivamente sobre Godwin e o tema. Entretanto, se faz necessário pontuar que para ele a finalidade da vida humana é a máxima satisfação dos prazeres e desejos carnais e pessoais.
Segundo Ana Campagnolo, “William Godwin é um dos pensadores da revolução sexual. Quero frisar para que vocês prestem atenção: novamente, temos um homem. Não falamos de mulheres ainda, porque ainda não apareceram aqui. William Godwin era contra a monogamia e contra o casamento, esse casamento tradicional, católico, cristão, que conhecemos (…)”.
Sua futura esposa, Mary Wollstonecraft, será influenciada por suas ideias e teremos início ao que é considerado, a primeira onda feminista. Assim, os escritos de Mary seguem na esteira do que aprendeu com Godwin e os iluministas franceses. Ficou conhecida como a primeira feminista da história e suas principais ideias, se fundamentam a partir das seguintes pautas: o privilégio de ser mulher, o problema do duplo padrão moral, a semelhança entre homens e mulheres e a educação feminina.
Falamos em “ondas”, porque cada uma delas, são três desde que surgiu um ordenamento sistemático e respectiva influência na sociedade. Um ponto a ser destacado diz respeito as facetas que o movimento apresenta e o que realmente carrega em seus princípios através de suas ideólogas. De um lado, a aparência é bonita, com uma face não-violenta, tratando de respeito e empatia.
Este é o lado que é comumente divulgado. Contudo, possui uma outra face, que não circula nas redes, nos discursos, e tampouco nos programas de TV. Desde Mary Wollstonecraft, o movimento foi se realocando para outras áreas. Nomes como Simone de Beauvoir e Judith Buttler irão aparecer nas próximas ondas. Temas como: a legalização do divórcio, a luta pelo fim da família, a defesa do sexo libertino, a luta pelo fim da vida de “dona de casa”, a legalização do aborto e a apologia ao sexo sem compromisso, se tornarão as principais ideias da segunda onda feminista.
Chegamos no ponto alto, a partir da terceira, onde, a igualdade de gênero, os direitos LGBT, a igualdade salarial, a liberdade de escolhas da mulher, a anulação da divisão bipolar entre homens e mulheres, o incentivo à educação sexual nas escolas e inclusão de sua agenda, tem alcançando o patamar de obrigatoriedade.
Para se ter um panorama do que estamos tratando, duas referências podem auxiliar para compreender o cerne de algumas motivações por trás do movimento. Em defesa da Ideologia de Gênero, Judith Buttler, afirmou o seguinte: “O gênero é uma construção cultural; por isso não é nem resultado causal do sexo, nem tão aparentemente fixo como o sexo. […] Homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino tanto um corpo masculino como um feminino”.
E de forma mais radical, apontando para o polimorfismo sexual, aventando a “libertação” sexual da criança, com a aceitação da pedofilia e do incesto, Sulamith Firestone destaca que, “se a repressão sexual precoce é o mecanismo base pelo qual são produzidas as personalidades que sustentam a escravidão política, ideológica e econômica, o fim do tabu do incesto, através da abolição da família, poderá ter consequências profundas. A sexualidade poderá ser libertada da sua camisa de força para erotizar toda a cultura, modificando a sua própria definição”.
No fundo, o que se tenta ocultar é que a visão feminista do que as mulheres deveriam querer muitas vezes bate de frente com as esperanças e os desejos das mulheres de carne e osso. Em outras palavras, uma tirania que antes de tudo atinge a própria mulher.