Século XIX: o homem deus, o homem besta
Qualquer pesquisa rápida na internet, pode nos proporcionar algumas características sobre este século. Para a historiadora Juliana Bezerra, o século XIX “(…) é o período compreendido entre os anos 1801 e 1900. Foi uma fase de inúmeras mudanças na história mundial, marcada por revoluções, descobertas, críticas e inovações”.
Ainda no período, ocorreram muitos conflitos e revoluções que marcaram a história mundial e a história do Brasil, como a Revolução de 1848 e a Proclamação (Golpe) da República no Brasil em 1889. Filósofos e pensadores criaram nesta mesma época, teorias e reflexões que foram responsáveis por alterar alguns padrões da sociedade, e seus efeitos e consequências chegaram aos nossos dias.
Assim, temos início hoje, caro(a) leitor(a) ao segundo tópico do último bloco sobre a formação politicamente incorreta do Ocidente. Só para situar alguns acontecimentos deste século, destaco os seguintes: 1804 – início do Império Napoleônico, ano em que Napoleão se torna imperador da França; 1808 – vinda da família real portuguesa para o Brasil (estabelecimento da corte no Rio de Janeiro), ambos terão uma relação direta.
Entre outros, destaco ainda: de 1814 a 1815 – Congresso de Viena (a intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica); de 1837 a 1901 – Era Vitoriana na Inglaterra; 1840 a 1842 – Guerra do Ópio na China; 1861 a 1865 – Guerra de Secessão nos Estados Unidos (Guerra Civil Americana); 1894 a 1917 – Governo do czar Nicolau II na Rússia, só para citar alguns.
Foram inúmeros movimentos que aconteceram, mas o nosso objetivo aqui será identificar e reconhecer a influência das principais ideias que iriam germinar nas nações, na consolidação e enaltecimento da deusa razão em detrimento da fé que ordenou a sociedade por séculos. Ordem e progresso, são os dizeres em nossa bandeira, ele se originou do lema positivista, através de seu idealizador, Auguste Comte, “amor como princípio, ordem como base e progresso como objetivo. ”
Para o professor Orlando Fedeli, “o Positivismo foi o sistema “cientificamente” imaginado por Augusto Comte. Ele havia sido um discípulo de Saint Simon, um utópico revolucionário que fundou um movimento de características religiosas e socialistas, ainda no princípio do século XIX. Saint Simon era um alumbrado, desequilibrado, e Comte não era mentalmente mais sadio que ele. Tanto que foi fechado em hospício de loucos. Saindo do hospício, Comte ficou professor da Escola Politécnica, em Paris”.
Virou uma espécie de “profeta” e fundador de religião. Enxergava a História como Tradição e a Humanidade como Divindade. Dentre suas principais obras, a mais importante foi o Sistema de Política Positiva ou Tratado de Sociologia que institui a Religião da Humanidade, escrito em quatro volumes, e publicado em Paris de 1851 a 1854.
Semelhante a Karl Marx (falaremos mais em um texto complementar na próxima edição), que encontrava na pretensão de “profeta” romântico, e também outros tradicionalistas, Augusto Comte, pretendia ter descoberto as leis da História. Na realidade, todo “profeta” megalomaníaco, tem a pretensão de dominar o tempo, prevendo, das corriqueiras condições meteorológicas, ao domínio da História, tendo o passado na memória e o futuro em suas “profecias”. Um delírio, presumindo conhecer os “sinais dos tempos”.
Em relação as ideias, podemos destacar ainda, a formação inicial do que viria a ser conhecido como Nova Era (uma cópia da tradição hindu, proclamando serem todas as religiões, aspectos locais e acidentais de uma Revelação Primordial única, onde se pode concluir, que por este ou aquele caminho, todo mundo chegará aos mais altos estágios da realização espiritual humana).
Só que não!!! De acordo com o professor Olavo de Carvalho, “(…) Essa ideologia teve precursores no século XIX, como Allan Kardec, Helena Petrovna Blavatski, a célebre teosofista e – literalmente – batedora de carteiras, Jules Doinel, fundador da Igreja Gnóstica francesa (1890), Gerard Encausse, mais conhecido como “Papus”, Jean Bricaud e, de modo geral, todos os componentes do movimento que viria a se chamar “ocultista”.
Um tempo em que a ciência produziu os genocídios do século vindouro, e onde a adoração romântica da natureza se transformou numa perigosa adoração do homem. “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”, diria Marx, e Nietzsche, em Assim falou Zaratustra, “amo os que não procuram por detrás das estrelas uma razão para morrer e oferecer-se em sacrifício, mas se sacrificam pela terra, para que a terra pertença um dia ao Super-homem.”











