A presença de granjas de suínos nas proximidades da lagoa do Arroio Corrente, em Jaguaruna, tem gerado preocupação e revolta entre moradores, veranistas e turistas que frequentam a região litorânea. O tema voltou ao centro do debate público após denúncia feita pelo ex-vereador Alício Bitencourt, que questiona a compatibilidade da atividade com uma área tradicionalmente voltada ao lazer, turismo e preservação ambiental. Alício reforça a denúncia e sua preocupação se dá em razão de rumores de que uma outra granja de suínos ainda maior estaria sendo instalada na região.
Segundo Alício, embora as granjas possuam licenciamento e aprovação dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização ambiental e sanitária, a simples existência dessas estruturas em meio a uma localidade de praias representa um grave problema. Entre as principais queixas estão o forte mau cheiro, especialmente em dias de calor, e a proximidade das instalações com áreas de captação de água potável, além da curta distância em relação à orla marítima.
“O que está em jogo não é apenas a legalidade, mas o bom senso. Estamos falando de um balneário que recebe famílias, turistas e veranistas, que buscam qualidade de vida, contato com a natureza e bem-estar. O odor constante e o risco ambiental comprometem tudo isso”, afirmou o ex-vereador.
Moradores relatam que o cheiro proveniente das granjas é recorrente e afeta diretamente o cotidiano da comunidade, inviabilizando momentos simples como manter janelas abertas, circular pela vizinhança ou aproveitar a praia em determinados períodos. Há também apreensão quanto aos impactos ambientais de longo prazo, principalmente no solo, nos lençóis freáticos e nos cursos d’água que deságuam no mar.
Especialistas alertam que a suinocultura, quando não instalada em locais adequados ou sem distanciamento suficiente de áreas sensíveis, pode causar sérios danos ambientais. O manejo inadequado de dejetos é apontado como um dos principais riscos, podendo provocar contaminação da água, proliferação de vetores e desequilíbrios ecológicos.
O entorno do Arroio Corrente é reconhecido por sua beleza natural e potencial turístico, sendo uma importante fonte de renda para o município durante a temporada de verão. Comerciantes e proprietários de imóveis temem que a situação afaste visitantes e desvalorize a região, causando prejuízos econômicos e sociais.
Por outro lado, produtores rurais defendem a atividade, ressaltando que as granjas operam dentro da legalidade e seguem as normas estabelecidas pelos órgãos ambientais. Eles destacam ainda a importância da suinocultura para a economia local e a geração de empregos.
Diante do impasse, Alício Bitencourt defende a revisão dos critérios de licenciamento e a abertura de um diálogo mais amplo com a comunidade. “É preciso ouvir quem mora aqui, quem investe no turismo e quem depende da preservação ambiental. Desenvolvimento não pode significar perda de qualidade de vida”, concluiu.
O caso deve ser acompanhado pelos órgãos competentes e pode resultar em novas fiscalizações, estudos de impacto ambiental e possíveis medidas corretivas, buscando conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e o direito da população a um ambiente saudável.












