Santa Catarina tem na Economia do Mar uma grande fonte de geração de empregos formais. Considerando todas as vagas existentes no estado, atualmente, as atividades relacionadas à Economia do Mar empregam aproximadamente 250 mil profissionais: cerca de 8,5% de toda a força de trabalho formal catarinense.
Considerando 12 meses, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, os setores vinculados ao uso produtivo do mar foram responsáveis pela criação de quase 6 mil novos postos de trabalho com carteira assinada no estado, o que equivale a 13% do saldo total de empregos formais catarinenses no período.
Os dados integram a edição especial do Informativo Mensal de Emprego, publicação da Diretoria de Políticas Públicas da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan/SC), com base nos microdados do Novo Caged divulgados em 31 de março de 2026.
“O mar e as atividades pesqueiras fazem parte da história e da cultura de Santa Catarina. Criamos a Secretaria de Aquicultura e Pesca para dar a esse setor a atenção que merece. Do mar vem sustento de muitas famílias, mas também uma contribuição importante pra nossa economia. Lançamos no ano passado o Programa Pescados SC, exatamente para aumentar a produtividade, entregando equipamentos, tratores, guinchos e disponibilizando crédito facilitado”, destaca o governador Jorginho Mello.
Este levantamento realizado pela Seplan foi apresentado oficialmente no evento Blue Nautical HUB Brasil 2026, durante o III Simpósio Internacional Economia Azul, realizado nesta quarta, dia 29, na Capital. O Simpósio é um ponto de encontro estratégico entre indústria, comércio, serviços, turismo náutico, marinas, estaleiros, inovação, educação, investidores, entidades e poder público, em uma agenda pensada para gerar relações qualificadas, oportunidades comerciais e visão de futuro para o setor.
Desempenho supera a média nacional
O desempenho catarinense supera a média nacional, que atingiu 12% do saldo de empregos no Brasil. Apenas em fevereiro de 2026, o setor gerou 1.929 novos vínculos formais em Santa Catarina, o que representa 11% do total dessas atividades no país (+17.824 postos).
“A Economia do Mar revela a diversidade e a maturidade do nosso tecido produtivo. Santa Catarina não apenas lidera em setores tradicionais como a pesca e o beneficiamento de pescado, mas também avança com vigor em segmentos de maior valor agregado, como armazenamento logístico, engenharia e serviços. Os números confirmam que o mar é, para nós, muito mais do que uma fronteira geográfica, é uma vocação estratégica de desenvolvimento econômico e social”, explica o secretário estadual do Planejamento de Santa Catarina, Arão Josino.
Além disso, SC concentra 45% dos empregos formais brasileiros na pesca e 27% na preservação do pescado e na fabricação de produtos do pescado, liderando o ranking nacional em ambos os grupos.
O estado é também o segundo colocado na fabricação de motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão (22% dos vínculos do país), na construção de embarcações, na fabricação de aparelhos e instrumentos de medida e na fabricação de artefatos para pesca e esporte.
Perfil da Economia do Mar em Santa Catarina
O grupo de Armazenamento, carga e descarga apresentou o maior saldo de emprego formal em Santa Catarina, registrando 1.744 novas ocupações com carteira assinada, ainda considerando os dados são do Novo Caged do período entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Os maiores saldos seguintes foram registrados nos grupos de Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (1.206) e de Fabricação de outros produtos alimentícios (967).
Cerca de 65% do saldo das novas contratações foi gerado por microempresas e empresas de pequeno porte em Santa Catarina e 35% pelas de médio e grande porte. Ainda de acordo com o Novo Caged, 51% dos novos empregados eram homens e 49% mulheres, no ciclo cadastrado.

Oferta de empregos na área cresceu 25% em uma década
Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 mostraram que ao longo de uma década, o crescimento foi expressivo: os empregos no setor aumentaram 25% em comparação a 2014, com acréscimo de quase 50 mil trabalhadores formais, ritmo superior ao verificado no restante do país (15%).
O dinamismo também se reflete no número de estabelecimentos: de 15.871 em 2014, o estado passou para 23.515 unidades ligadas à Economia do Mar em 2024, alta de 48%. A massa salarial mensal movimentada por esses 30 grupos de atividades soma aproximadamente R$1,158 bilhão, um crescimento de 20% frente ao valor registrado em dezembro de 2014, de R$964 milhões.
Crescimento em diversas regiões do estado
Na distribuição regional, três regiões concentram 61% dos empregos formais da Economia do Mar: a Associação dos Municípios da Grande Florianópolis (GRANFPOLIS) obteve 28%, a Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), com 18% e a Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (AMUNESC), com 15%.
No entanto, os maiores crescimentos entre 2014 a 2024, os maiores crescimentos foram registrados na Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina (AMEOSC), com 77% e na Associação dos Municípios Região de Laguna (AMUREL), com índices superiores a 73%, indicando interiorização e capilaridade do setor. Os municípios com maior contingente de trabalhadores formais nessas atividades são Florianópolis, Joinville e Itajaí, que juntos somaram mais de 82 mil vínculos.

“Diversificar com inteligência é o caminho. Economias mais complexas são mais adaptáveis, inovadoras e inclusivas. E há uma relação direta: quanto mais forte e diversificada a economia local, maior tende a ser o Índice de Desenvolvimento Humano”, explica o secretário adjunto Lucas Amancio.
Sobre o Informativo Mensal de Emprego
O Informativo Mensal de Emprego é uma publicação da Diretoria de Políticas Públicas (DIPP) da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (Seplan/SC). A edição ora divulgada adota a metodologia de Mensuração da Economia do Mar no Brasil, desenvolvida em parceria pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A análise compreende 30 grupos de atividades que utilizam o espaço oceânico como insumo ou base operacional.
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