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Editor Chefe:
Reinor Marcolino (Reg.SC 02.423-JP)

Assessoria Jurídica:
Diógenes Luiz Mina de Oliveira (OAB/SC 26.894)

Produção orgânica no Sul do Estado traz prosperidade para famílias agricultoras

O que te emociona? Um livro, um filme, uma música? Sentada na varanda de sua casa, a produtora rural de Criciúma, Loiva Perdoná Ceza, aperta os olhos cheios d’água. Ela se emociona com a própria trajetória como agricultora orgânica. Ela descreve com empolgação sua história, mas volta e meia apela para longas pausas, tentando conter as lágrimas que teimam em surgir ao recordar passagens de sua carreira.
Não é pra menos tanta emoção. Filha e neta de agricultores, ela se orgulha de ser a única que ficou no campo, entre os 60 netos gerados por seus avós maternos e paternos. Por volta do ano 2000, somou mais um desafio à sua vida profissional: tornar-se uma agricultora orgânica.
Hoje ela colhe uma média de cinco toneladas de bananas orgânicas por mês, nos 10 hectares da sua propriedade. Mas até chegar a esse patamar, a luta, como ela mesmo define, foi grande.
Loiva teve uma companheira nessa batalha, a tia de seu esposo, Cléia Ceza, já falecida. Dona de uma parte das terras que abrigam o bananal, Cléia não gostava de agrotóxicos. “Ela sempre dizia que dentro da propriedade dela ela botava o que queria, e ela não queria veneno”, resume Loiva sobre a tia.
A certificação da produção orgânica veio só em 2006. Antes disso, as agricultoras passaram por um período difícil. “Pra vender como convencional, a banana não estava no padrão que o mercado exigia. Pra vender como orgânica, não tinha certificado”, descreve Loiva, não sem antes fazer um longo intervalo para conter a emoção que essa recordação provoca.
Para contornar a situação, Loiva vendia uma parte da produção como convencional, “com preço bem baixo”, lembra. O restante era oferecido nas portas das casas e das fábricas da região. Normalmente vendia tudo, mas, caso contrário, dava de presente o que sobrava. O importante era voltar para casa sem banana.
“Hoje eu não sei se teria essa vontade, nem essa disposição, mas na época eu tinha. Eu queria vencer, eu queria certificar, eu queria vender o meu produto, mostrar que ele era bom. E pra mim não era trabalhoso, não era custoso, não era ruim fazer aquilo, eu fazia com o maior prazer de chegar em casa com o carro vazio, não me interessava se tinha muito dinheiro ou pouco, interessava que o produto tinha ido e eu não jogava fora”, relata a produtora.
Com a certificação, as coisas começaram a melhorar. As redes supermercadistas da região foram os primeiros grandes compradores. “Chegávamos nós, duas mulheres, falando de orgânico, que não tinha na minha cidade ainda. E quando a gente chegava lá, se deparava com aqueles vendedores todos de notebook, muito chique. A gente saía de lá e ria muito. A tia dizia: de certo eles imaginam que a gente é uma vendedora muito grande. E éramos pequenas agricultoras”.
Tudo foi dando certo. Os mercados abriram as portas diante do produto novo, que despertava a curiosidade do público, e o ânimo de Loiva foi crescendo. Hoje ela já não distribui para supermercados, quase toda sua produção vai para cooperativas, que entregam para as escolas da região.
Quem visita as feiras locais também pode comprar suas bananas, além dos produtos da agroindústria Ciranda Sabores Orgânicos, cuja certificação ela conquistou há dois anos. São bolos, geleias, balas, passas achocolatadas, biomassa, farinha e muito mais, feitos com banana orgânica e uma grande dose de carinho.
As bananas orgânicas da família Ceza garantem o sustento de Loiva, seu marido e o genro, que trabalham na propriedade. A Ciranda Sabores Orgânicos tem uma funcionária, mas a intenção da agricultora é aumentar o número de empregados, contratando definitivamente a nora, que lhe ajuda esporadicamente na linha de produção. Há ainda um diarista, que entre duas e três vezes por semana faz a roçada no bananal.
“Foi bastante lutado, não foi fácil, mas foi gratificante, a gente chegou onde queria”, reflete Loiva, na varanda da sua confortável casa. Mas os olhos verdes fixados no horizonte indicam outra coisa: seus sonhos levarão ela e a agricultura orgânica do Sul de Santa Catarina ainda muito longe.