Dia 23 de abril é celebrado o Dia Mundial do Livro. A data foi instituída pela UNESCO com o objetivo de incentivar o hábito da leitura, bem como homenagear os autores, promovendo sua valorização e a proteção de seus direitos.
A escolha do dia não remete as mortes de três grandes nomes da literatura mundial — o inglês WILLIAM SHAKESPEARE, o espanhol MIGUEL DE CERVANTES e o peruano INCA GARCILASO de la Vega.
Para celebrar a data, trazemos o artigo de FELIPE MARLONDREY BALTAZAR CARDOSO, advogado, que brinda os livros com suas palavras:
EU SEMPRE AMEI LIVROS
Há algo de curioso — e, talvez, até contraditório — na minha relação com os livros. Eu sempre os amei. Talvez mais do que a própria leitura, confesso, dada a inassiduidade deste leitor em potencial. Ainda assim, os livros… sempre os amei.
Existe uma estética silenciosa no livro que me cativa. A forma, o peso, a fonte, a disposição das páginas. A edição e a diagramação revelam muito sobre a obra antes mesmo da primeira linha ser lida. Funcionam como um convite — um chamariz quase inevitável.
Dizem que não se deve julgar um livro pela capa. Concordo. Mas, ah, uma bela capa… Ela tem a força de um quadro. Uma pequena obra de arte que enfeita a mente e conduz o olhar, de sinopse em sinopse, a um oceano de histórias, prosas, poesias e ideias.
Para mim, o livro sempre foi mais do que objeto: é companhia. Um bom amigo. Um excelente amigo. E, como acontece com os verdadeiros amigos, nem sempre exploramos tudo o que ele tem a oferecer. Nem todas as histórias, nem todos os conselhos, nem todas as lições.
Ainda assim, ele permanece ali — fiel — na prateleira da vida. Nós o admiramos, o contemplamos. Às vezes, damos mais de nós a ele do que dele extraímos. Mas sabemos que está ali. E isso basta. Quando necessário, podemos voltar, abrir suas páginas, reencontrar suas palavras — como quem retoma uma conversa interrompida.
Vivemos hoje em um tempo marcado pelo mundo virtual — veloz, intenso, por vezes excessivo. Não raro, ele nos afasta de nós mesmos e da realidade que nos cerca. Mas seria injusto não reconhecer que os livros também possuem esse poder de nos absorver. Quantas vezes não nos perdemos — ou nos encontramos — em suas páginas, esquecendo o mundo ao redor?
Mas a vida exige movimento. Há compromissos, urgências, responsabilidades. Há dias em que o tempo não permite abrir um livro sequer. E isso, compreendi, não diminui esse amor. Ao contrário. Viver também é uma forma de leitura. Colecionamos memórias, experiências, histórias. Muitas delas aprendidas nos livros. Outras, construídas por nós mesmos — e, quem sabe, dignas de um dia serem escritas.
No fim, somos todos autores. Escrevemos, dia após dia, o nosso próprio livro da existência. O ponto final — esse, contudo — não nos pertence. O Escritor de cada escritor é quem o colocará, quando assim o quiser.
Quanto a mim, sigo com a mesma certeza de sempre: eu sempre amei os livros.











