Em entrevista ao Sul In Foco, ela relata o impacto do diagnóstico, o vídeo que impactou SC e o propósito de inspirar outras mulheres durante o Outubro Rosa
Em maio de 2025, a ex-primeira-dama de Santa Catarina, Késia Martins, recebeu um diagnóstico que mudaria completamente a rotina dela: um nódulo foi localizado em um dos seios e, após exames complementares, veio a confirmação de câncer de mama.
“No primeiro instante, receber o diagnóstico de câncer é assustador demais. Gera insegurança, medo, desconforto… mas, pra mim, foi principalmente tristeza. Pensei por uns dias que estava me despedindo da vida”, relembra.
O medo inicial, no entanto, deu lugar à fé e à vontade de viver. “Foi uma montanha-russa de emoções, mas logo percebi o quanto eu amo estar viva. Decidi que faria tudo o que estivesse ao meu alcance : contar com a medicina e confiar em Deus”, compartilha Késia.
A partir do diagnóstico, ela tomou uma decisão inusitada: transformar a própria experiência em um ato público de coragem, mas também conscientização. Pelas redes sociais, passou a compartilhar sua rotina de tratamento, as mudanças no corpo e as reflexões sobre o processo, rompendo o silêncio que ainda cerca o tema.
“O câncer ainda é carregado de muito tabu e preconceito, muito por falta de informação. É comum associar à morte, ao sofrimento ou até à culpa. Eu quis mostrar que é possível passar por tudo isso com leveza e com esperança”, contou.
O retorno foi imediato e emocionante, segundo Késia. “Recebo todos os dias mensagens de mulheres que enfrentam o mesmo diagnóstico. Elas compartilham histórias de cura, receitas, dicas, modelos de lenço… Essa troca virou combustível para o meu caminho de cura. Se eu estou servindo de exemplo para que outras passem por isso com mais serenidade, já valeu a pena”.
Um dos momentos mais simbólicos da trajetória ganhou destaque nas redes sociais: o vídeo em que o ex-governador Carlos Moisés aparece raspando o cabelo da esposa.
“Os cabelos de uma mulher dizem muito sobre quem ela é, sobre sua cultura e personalidade. Então, é claro que senti angústia quando começaram a cair. Mas preferi olhar o lado positivo: o medicamento estava agindo, e isso era sinal de que eu estava a caminho da cura”, relatou.
Com serenidade e cumplicidade, o casal decidiu transformar aquele momento em um gesto de força. “Fui cortando aos poucos até decidirmos passar a máquina, sem dúvida ou constrangimento. E quer saber? Gostei do resultado. Vou ficar de cabelo curto por muito tempo. O Moisés participou naturalmente, como faz em todas as decisões importantes da nossa vida”, disse.
Durante a primeira etapa do tratamento, apenas o marido sabia do diagnóstico. “No início, só o Moisés sabia. Depois que tive todos os exames em mãos, contei à família e pedi que orassem por mim, pra que meu corpo se mantivesse forte, minha mente equilibrada e minha fé firme. Quando você tem um bom médico, o apoio da família e fé em Deus, a vontade de viver supera qualquer medo”, garante.
Moisés, do outro lado, diz que aprendeu com a esposa o verdadeiro significado de força.
“Foi a Késia quem nos ensinou a lidar com tudo isso. Ela transformou o medo em esperança e fez da luta uma lição de vida. Tento estar ao lado dela em cada etapa, tornando o caminho mais leve. Porque quando o amor é genuíno, ele também é força, abrigo e cura”, afirmou ao Sul In Foco.
Diagnosticada em estágio inicial, Késia foi submetida à cirurgia e, em seguida, iniciou a quimioterapia. “A rotina muda completamente, o corpo responde diferente, mas a esperança continua firme. No dia 8 de outubro fiz minha última sessão de quimioterapia. Agora, terei 14 aplicações de trastuzumabe, a cada 21 dias. Depois disso, os médicos vão avali…











