No período voltado aos cuidados masculinos, o Novembro Azul, médicos falam de prevenção e sintomas de câncer
O movimento Novembro Azul surgiu na Austrália, em 2003, chamado Movember, aproveitando as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, realizado no dia 17 do mesmo mês. Em vários países, de acordo com o urologista Dr. Rodrigo Lolli, o Movember é mais do que uma simples campanha de conscientização. Há reuniões entre os homens com o cultivo de bigodes cheios, símbolo da campanha, onde são debatidos, além do câncer de próstata, outras doenças como o câncer de testículo, depressão masculina, cultivo da saúde do homem, entre outros.
Entre as atividades realizadas neste período, o médico elenca: “Diversas ações de conscientização pública são realizadas por entidades privadas e públicas, assim como pelos próprios profissionais de saúde e pela Sociedade Brasileira de Urologia. Palestras e entrevistas, assim como reportagens em meios de comunicação, estão entre as atividades mais comuns. Isso porque a campanha Novembro Azul reforça para a sociedade a importância do cuidado sobre a saúde dos homens, muitas vezes negligenciada pelo poder público, assim como pela própria sociedade em geral”, assinala.
FATORES DE RISCO
Dr. Lolli, como é conhecido, detalha os principais fatores de risco para o câncer de próstata, a frequência que os homens devem realizar exames de rastreamento e os sintomas iniciais. “Idade, história familiar, raça negra, obesidade e hábitos alimentares prejudiciais são os principais fatores de risco para o surgimento de câncer de próstata. Quanto aos exames, de modo geral, os homens devem procurar atendimento anualmente a partir dos 40 anos de idade. Mas isso pode variar de caso para caso e só o urologista será capaz de definir com precisão a periodicidade adequada. Já sobre os sintomas iniciais, geralmente a doença não leva a nenhum sintoma no começo da doença, mas dificuldades para urinar, sangramentos na urina ou sêmem e dor lombar podem fazer parte do quadro. O homem deve procurar o médico mesmo na ausência de qualquer sintoma”.
Quanto à influência do diagnóstico precoce no tratamento, o especialista diz que 90% dos casos podem ser curados. Quando os sintomas começam, 95% dos casos já estão em fase adiantada e 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados tardiamente. “Até hoje, 25% dos portadores de câncer de próstata ainda morrem devido à doença”.
Mitos e verdades
O urologista esclarece alguns mitos e verdades sobre o câncer de próstata que a campanha busca desmistificar. Segundo ele, é verdade que o câncer de próstata é o câncer mais comum do homem, depois do de pele. O câncer de próstata costuma ser uma doença silenciosa, por isso deve ser ativamente prevenida e procurada, a fim de se obter diagnóstico precoce e tratamento eficaz; com diagnóstico precoce, as chances de cura são de 90%. Entre os mitos, Dr. Lolli explica: “É mito que todo homem que tratar para câncer de próstata terá dificuldades de ereção; comer tomate (licopeno) ou suplementos de selênio previnem o câncer de próstata; e também é mito que com o exame de sangue ou de imagem, o exame de toque retal não é mais necessário”.
Opções de tratamento disponíveis
O especialista em urologia apresentou as principais opções de tratamento disponíveis para homens diagnosticados com câncer de próstata. “Atualmente, são diversas as possibilidades, entre elas vigilância ativa, cirurgia convencional, cirurgia videolaparoscópica, cirurgia robótica, radioterapia, braquiterapia, hormonioterapia, quimioterapia, mas acima de tudo a prevenção deve ser adotada por todos uma vez que o câncer de próstata é mais influenciado por fatores genéticos do que alimentares ou ambientais, mas uma dieta com menor teor de gordura e manter o peso corporal saudável são atitudes protetoras. Evitar o hábito de tabagismo também é importante”.
Câncer de mama também em homem
O câncer de mama em homem, ocorre, mas é raro (cerca de 1% dos cânceres de mama ocorrem em homens), de acordo com o Dr. Braulio Leal Fernandes, especialista em Mastologia. “Em função da raridade não há nenhuma rotina de exames preconizada (como há com as mulheres). O que se orienta é que boas práticas de saúde são importantes para todas as pessoas por reduzir a incidência de várias doenças (inclusive o câncer) como, por exemplo, boa alimentação (reduzir alimentos industrializados, baixo índice de gordura de origem animal, ingerir alimentos de origem vegetal – frutas e verduras), prática de atividade física, manutenção do peso e modulação do stress do dia a dia”.
DIFERENÇA
O especialista também explica o que difere o câncer de mama entre homens e mulheres. “Uma das principais diferenças é relacionada ao tratamento cirúrgico. Como o homem tem pouco tecido na mama, raramente a preservação da mama é possível. Isto é, em geral é necessário mastectomia. Cabe assinalar também que como não é indicado fazer exames de rastreamento de rotina para os homens, a descoberta da doença ocorre pelo surgimento de sintomas, sendo que os principais são: nódulo, alterações na pele (retração, ulcerações), presença de linfonodos axilares palpáveis”, disse Dr. Braulio.
Quanto aos fatores de risco, o mastologista diz que no caso dos homens a doença é relacionado à hereditariedade. “Enquanto que em mulheres, 5-10% dos cânceres de mama são hereditários, nos homens esse número sobe para 40%. A presença de um caso de câncer de mama em homem indica a necessidade de investigação de câncer de mama hereditário nessa família. Por isso a relevância do autoexame, pois o autoconhecimento é sempre importante nessa situação. Palpar as mamas eventualmente pode ser importante para surpreender um eventual nódulo que pode levar ao diagnóstico de câncer”, finalizou.











