O sigilo com pesquisas de milhões de reais dos brasileiros
O sigilo governamental e a falta de transparência em um contexto onde milhões de reais saem dos cofres públicos é, no mínimo, uma afronta ao princípio democrático que deveria guiar a administração pública. O governo Lula, ao colocar sob sigilo 33 pesquisas de opinião encomendadas pelo Palácio do Planalto, dá um passo atrás no compromisso de transparência que prometeu durante a campanha de 2022. Não se trata apenas de omitir números ou dados – é um ataque direto à confiança da população, que tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo utilizado e quais são as conclusões que estas pesquisas chegaram.
Lula, que em junho de 2022 prometeu um “revogaço” ao sigilo imposto por seu antecessor, parece ter esquecido rapidamente desse compromisso. Se durante a campanha a transparência era a bandeira hasteada com orgulho, no poder, ela se tornou uma cortina opaca, escondendo os temas e os valores gastos em cada levantamento. E o argumento usado pela Controladoria-Geral da União, de que a divulgação dos dados poderia distorcer a percepção pública e prejudicar futuras políticas, soa mais como uma desculpa para a falta de transparência do que uma justificativa válida.
A questão aqui não é apenas legal, mas moral. Um governo que se diz democrático e que foi eleito com a promessa de um Brasil mais justo e transparente não pode se esconder atrás de sigilos. O direito à informação é um dos pilares fundamentais da democracia, e quando ele é violado, a confiança naqueles que nos governam é corroída. Se as pesquisas encomendadas indicam algo que o governo considera prejudicial à sociedade, então, mais do que nunca, a população tem o direito de saber o que é. Caso contrário, aceitaremos um precedente perigoso, onde o governo decide o que devemos ou não saber, e isso é o início de um caminho que pode levar a um regime autoritário.
Ricardo Boechat, com seu estilo direto e incisivo, certamente questionaria: “o que há para esconder, Presidente? O Brasil, que votou por mudança, não merece mais uma cortina de fumaça. Transparência não é apenas uma palavra bonita para ser usada em discursos, é uma prática essencial que deve ser cumprida, sob pena de nos afundarmos em um mar de desconfiança e incerteza”.
Millôr Fernandes, com sua sagacidade e ironia inconfundíveis, certamente trataria o tema com uma mistura de humor ácido e crítica incisiva. Ele talvez dissesse algo como: “Ah, o sigilo! Esse manto mágico que transforma a opacidade em virtude e a ignorância em segurança nacional. O governo Lula, que prometeu a luz, agora acende velas nas catacumbas do Planalto, escondendo pesquisas milionárias como se fossem tesouros piratas. Afinal, quem precisa de transparência quando se tem o ‘bem maior’ da nação nas mãos, não é mesmo?”
Jô Soares, com seu estilo bem-humorado e sarcasmo elegante, poderia abordar o tema de uma maneira espirituosa, talvez assim: “Olha só, pessoal, o governo Lula resolveu brincar de esconde-esconde… mas com as pesquisas de opinião! E não é qualquer pesquisa, não. São 33 pesquisas que custaram 13 milhões de reais. Ou seja, a gente paga a conta, mas não tem direito de saber o resultado. Isso é que é transparência, né?”
Se o governo tem receio das reações populares, talvez deva reavaliar as suas políticas, e não ocultar as informações que delas resultam. Afinal, governar é, acima de tudo, servir ao povo – e não o contrário.











