Ministério da verdade: desinformação e confusão a serviço da (des)ordem e do controle
Nada está na realidade política de um país se não estiver primeiro na sua literatura. A sentença proferida no início deste texto, é de Hugo von Hofmannsthal(1874-1929). Tão verdadeira e profunda, no dizer do filósofo e professor Olavo de Carvalho, “que pode ser aplicada à análise das situações políticas desde vários ângulos diferentes, sempre rendendo algum conhecimento”.
Neste sentido, caro(a) leitor(a), sem nos desviarmos do propósito de descrever, pessoas e situações marcantes no cenário geopolítico do século XX, abriremos um espaço neste dia para apontar algumas práticas e conceitos que formularam uma certa influência na construção do imaginário popular através dos meios de comunicação, e que se fazem transparecer(talvez, não para muitos), em nossa atualidade recente.
Uma expressão frequente tem aparecido nos noticiários, em jornais e no ribombar da população, a saber, “Fake News”. De acordo com o jornalista Cristian Derosa, citando o artigo, The Science of Fake News, publicado na revista Science, em maio de 2018, “as notícias falsificadas sempre existiram, mas nos últimos anos as notícias falsas ganharam sua “versão politicamente orientada”. O que os autores querem dizer é que grande parte do conteúdo do que eles chamam de fake news é simplesmente conteúdo conservador ou de direita. Ao que parece, a hegemonia da esquerda em todo o aparelho midiático não tolera vozes discordantes e tão logo surjam são imediatamente catalogadas como um problema global a ser resolvido”.
Controlar a imprensa, a propaganda, as informações não é nada novo. No Brasil, tivemos na Era Vargas, o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Na União Soviética, o principal órgão de censura, Glavlit, foi empregado não só para eliminar quaisquer materiais impressos indesejáveis, mas também para garantir que a versão ideológica correta fosse colocada em cada item publicado. Os regimes totalitários têm em uma de suas estratégias, o controle dos meios de comunicação.
No livro 1984, de George Orwell, uma distopia sobre o futuro controlado por um regime totalitário se tem a descrição dos seus instrumentos para o funcionamento da sociedade. Uma crítica do autor, contra o totalitarismo, e contra qualquer regime político, social, religioso ou econômico, que cerceie a liberdade.
Nesta ficção, o mundo está dividido em três grandes regiões – Lestásia, Eurásia e Oceania – são dominadas por ditaduras, que se mantêm, graças ao temor (criado pela propaganda) de um imaginário inimigo externo. Winston Smith é o protagonista que reside na região de Oceania, onde o ditador é identificado pela alcunha de Grande Irmão.
Na Oceania, o cotidiano é controlado e a comunicação com a população acontece por meio de “teletelas”, presentes em todos os ambientes públicos e privados. Circula ainda nesta história, um idioma oficial, imposto pelo governo, a Novilíngua, que restringe ao máximo, a capacidade de expressão pessoal.
Bom, e em Pindorama, Terra de Vera Cruz, este tipo de estratagema, que aparece no romance “1984”, através do Ministério da Verdade, veio com força avassaladora, nos últimos dias, sobretudo através da catástrofe que acometeu o Rio Grande do Sul. Em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo, no dia 08/05/2024, o editorial nos traz um esclarecimento ensurdecedor desta prática, mesmo diante de tamanha tragédia.
Segundo o jornal, “(…) o “Ministério da Verdade” do governo petista – uma superestrutura que congrega vários ministérios e órgãos do Executivo para vigiar e punir discursos que o governo considere desagradáveis – já está trabalhando com um novo alvo na mira: as críticas à atuação do poder público no socorro às incontáveis vítimas da enchente que atingiu a maior parte do Rio Grande do Sul nos últimos dias. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, foi o responsável por colocar a máquina repressora em funcionamento, afirmando que a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União já estavam agindo para “combater fake news” sobre o resgate de vítimas e o envio de ajuda aos desabrigados.
É verdade, como li em uma postagem esta semana, “pessoas que se prestam a mentira, não merecem crédito nenhum. Está na hora da justiça dar um “canetaço”!!! A afirmação está correta, só que não corresponde à realidade, dada as circunstâncias em que se pretendia, como paladino da justiça, denunciar, mentiras e inverdades.
E em Jaguaruna, que teve gente surtando sobre a notícia que o “Governo Lula bloqueou recursos para a prevenção de desastres em Santa Catarina (O Globo, por Malu Gaspar e Johanns Eller, em 08/05/2024). Só esqueceu de fazer um trabalho sério de pesquisador ou jornalista e ter constatado que o orçamento da Defesa Civil de SC é 25% maior para 2024 (Diário Catarinense, Estela Benetti, em 24/01/2024).
O idiota útil, por definição, é idiota demais para saber que é útil e quem o utiliza. (Olavo de Carvalho)











