Investigação da DPCAMI de Araranguá apurou crimes em SC e no RS contra ao menos sete vítimas
Um criminoso investigado por uma série de crimes sexuais e patrimoniais foi condenado a mais de um século de prisão após trabalho conduzido pela Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá. A sentença fixou a pena em 106 anos, 1 mês e 21 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa.
A condenação é resultado de uma investigação que apurou a prática reiterada de crimes graves, como estupros, roubos majorados com uso de arma de fogo, restrição da liberdade das vítimas e extorsão mediante sequestro. Os delitos foram cometidos com extrema violência, grave ameaça e, em ao menos um caso, com a administração forçada de substância sedativa, o que aumentou a vulnerabilidade das vítimas.
De acordo com a Polícia Civil, ao menos sete vítimas foram identificadas. Quatro delas na comarca de Araranguá, incluindo ocorrências nos municípios de Araranguá e Balneário Arroio do Silva, e outras três no município de Vacaria, no Rio Grande do Sul. A atuação em mais de um estado caracterizou o investigado como um criminoso em série.
Os crimes seguiram um padrão semelhante. O autor fazia contato prévio com as vítimas, comparecia aos encontros armado, rendia-as mediante grave ameaça, mantinha a restrição da liberdade por horas e praticava violência sexual. Em seguida, subtraía dinheiro, celulares e outros objetos pessoais. Em um dos episódios, houve ainda a exigência de vantagem econômica, com manutenção da vítima em cárcere privado.
As investigações apontaram que o primeiro crime ocorreu em outubro de 2021, mas os casos vieram à tona após novas ocorrências registradas entre fevereiro e março de 2022, em bairros distintos de Araranguá. A repetição do modus operandi, o uso do mesmo veículo, além da semelhança nas descrições físicas do autor fornecidas pelas vítimas, reforçaram a autoria.
Durante o curso da apuração, a Polícia Civil de Santa Catarina identificou crimes com o mesmo padrão no Rio Grande do Sul, o que motivou cooperação interestadual. Após cerca de dois meses de investigação, o suspeito foi preso preventivamente em Balneário Arroio do Silva, em ação conjunta entre a DPCAMI de Araranguá e a Polícia Civil de Vacaria. Com ele, foram apreendidos a arma de fogo utilizada nos crimes e bens pertencentes às vítimas.
O réu já se encontrava vinculado a outros processos criminais no sistema prisional gaúcho, onde foi recolhido após a prisão. Na sentença, o Judiciário destacou a consistência das provas reunidas, os laudos periciais, os reconhecimentos realizados e a coerência dos relatos das vítimas, além do fato de parte dos crimes ter sido cometida enquanto o condenado cumpria pena em outro processo.
A Polícia Civil reforçou que o caso evidencia a importância da denúncia e do trabalho especializado das delegacias voltadas à proteção de grupos vulneráveis, bem como da resposta rigorosa do sistema de Justiça diante de crimes de extrema gravidade.











