Há um enorme desprezo do homem moderno pela tradição. Dando continuidade na nossa jornada, no resgate dos principais elementos constitutivos que formaram o Ocidente, hoje, caro(a) leitor(a), iremos identificar o primeiro tripé de nossa tradição através dos gregos, sobretudo a Filosofia e a Arte.
Algumas constatações iniciais se fazem necessárias, a saber, que a cultura ateniense era simplesmente superior, as concepções de beleza, retratadas nas pinturas, esculturas e arquitetura, são tidas como clássicas. Igualmente suas produções filosóficas, científicas e teatrais foram fecundas e delinearam o pensamento universal.
O amor pela sabedoria produziu uma ferramenta para buscar a verdade na estrutura da realidade, seu nome? A Filosofia. Com ela foi possível uma nova compreensão da vida, criando a ideia de que existe uma ordem inteligível, e cada um de nós, tem a capacidade de compreendê-la.
A busca da Verdade não fazia parte da tarefa do indivíduo, as pessoas não agiam assim. Foi com Sócrates que se iniciou esta jornada. Na antiguidade, não existia a noção de indivíduo, pois o mundo era avaliado na sua composição, pelo prisma de povos e nações. Viam a si mesmos, como parte do cosmos, sendo necessário, rituais para reparar e aplacar o mal.
Na natureza, os elementos eram deuses com vontade própria, podendo os humanos, “barganhar” com eles. Com a civilização asteca não era diferente, os sacrifícios humanos eram frequentes, para que o deus-sol iluminasse o dia seguinte. Os astecas guerreavam com as tribos vizinhas, fazendo-os prisioneiros e utilizando como sacrifício, inclusive arrancando o coração com a vítima ainda vida.
Mas é com Sócrates, e o que sucedeu, a partir de um de seus discípulos – Platão, é que foi dado “um salto no ser”, no dizer de Eric Voegelin, pois foi aberto o caminho na busca livre e individual pela Verdade. Sócrates enfrentou muitas lutas, mas os principais, eram os sofistas, que afirmavam não existir uma verdade única e absoluta.
Dos seus diálogos pela região de Atenas, Sócrates inicia a elaboração da filosofia, questionando a realidade e extraindo dela o que existe de essencial. Apesar de começar suas reflexões através da política, o foco foi a alma humana. Segundo o filósofo, os seres humanos estão numa jornada em busca do Bem, aquele que está além deste mundo. Para tanto, as pessoas têm de se esforçar para se tornar cada vez mais virtuosas.
Mas afinal, o que é a virtude? Sócrates resumiu todas elas, em 4, e dizia que as praticando, as demais também o seriam. Na página da Brasil Paralelo, temos a seguinte definição, conforme propõe Sócrates, sobre a virtude: “A virtude é uma disposição habitual de praticar o bem (…). Elas são:
A Prudência: a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir; a Temperança: a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade; a Justiça: a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a cada um o que lhe é devido e a Fortaleza: a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna resoluta a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral”.
Todos os princípios a partir deste momento, passarão a se expandir, com Platão, seu discípulo, é demonstrada a imaterialidade da alma através da razão natural. Com Aristóteles, aluno de Platão, há uma revolução para a ciência, com seus estudos do mundo físico. Diferente dos mestres, seu foco era estudar a realidade. E foi seguindo a linha de Aristóteles que São Tomás de Aquino define a inteligência como: “adequação do intelecto à realidade”.
E a beleza? A arte? Levavam a beleza muito a sério., desenvolvendo elevados níveis de estética e harmonia. Acreditavam os gregos que a beleza é um transcendental, considerada como essenciais, absolutas e superiores.











