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Assessoria Jurídica:
Diógenes Luiz Mina de Oliveira (OAB/SC 26.894)

Hugo Zago da Silva

A falsa promessa

Chegamos até aqui, neste tempo que completa um ano, desde que iniciei neste espaço. O objetivo, para relembrar você, caro(a) leitor(a), é o de trazer elementos que se encontram na estrutura da realidade, e tem avançado com enorme velocidade sobre o mundo, sobre diversas frentes, especificamente na destruição de tudo que remonta ao Ocidente e os valores que o consolidaram, a saber, o cristianismo.
São inúmeras as ideologias que surgiram nos últimos três séculos, entretanto, algumas tem despontado com grande envergadura e permeado o tecido social, para construir uma “nova sociedade/humanidade”, sem poupar esforços e com uma vestimenta que tem convencido os fervorosos, os descontentes e muitos que foram conduzidos a acreditar, que não se sentem representados.
Diz o ditado que “de boas intenções, o inferno está cheio”. Bom, aqui urge agora pontuar, mais alguns elementos que nos faça acordar e enxergar este gigante que avança sobre o tabuleiro de xadrez, nas relações geopolíticas. Estamos falando ainda da Rússia e as pessoas por trás das ideias e investidas neste propósito.
Apresentamos na última coluna – O homem do engano -, e nela foi descrita brevemente a figura de Aleksander Dugin. Estenderemos um pouco mais a análise sobre suas ideias, e algumas consequências que já podem ser sentidas, ainda que inicialmente sem maiores prejuízos visíveis, aos menos para nós, de forma imediata.
Sobre o ideólogo Aleksander Dugin, vale a pena enfatizar suas intenções e como se compõe seu projeto através da Quarta Teoria Política. Em suas palavras, ele diz que “(…) a Rússia atual combate o nacionalismo como ideologia, assim como os globalistas ocidentais, mas oferece uma nova ordem alternativa”. De acordo com o próprio Dugin, a Rússia na Ucrânia está aplicando os princípios da sua Quarta Teoria Política.
Em linhas gerais esta Quarta Teoria Política, apresenta um mundo ideal, e justificam seus planos por se manterem “fiéis as tradições históricas dos povos”. Segundo o jornalista Cristian Derosa, “(…)para Dugin, o nacionalismo ocidental é essencialmente “racista” por não considerar as semelhanças culturais e tradicionais vistas por Dugin como mais autênticas e que vão além dos limites das nações atualmente existentes. Essa tese é usada para justificar a ampliação dos limites do império russo, que segundo ele deve abranger um território ainda maior que o da extinta URSS”.
Perceba você, caro(a) leitor(a), o fundamento da falsa promessa, de um mundo que leva em consideração, a diversidade, como elemento unificador de sua demanda ficcional e delirante deste projeto. Nesta empreitada muitas pessoas têm sidos convencidas e têm creditado viabilidade na execução deste projeto.
Vale lembrar o diagnóstico do professor Olavo de Carvalho sobre este ponto. Assim, “”(…) quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um polo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um polo ocidental no eixo Paris–Berlim–Moscou, não é de maneira alguma uma ideia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS”.
A promessa e o projeto são assim, adornados por Duguin com o apelo aos valores espirituais e religiosos, substituindo o internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stalin. O engraçado, se não fosse trágico é que no governo russo, seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo.
Na realidade, mais do mesmo, pois substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB), que está nos principais cargos do governo, mas o que é pior, agora tendo seu poder ampliado. Se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia como Estado policial.