Subversão: a arte da guerra no controle da sociedade
Toda a guerra é baseada primariamente no engodo de um inimigo. Lutar num campo de batalha é a via mais primitiva de fazer a guerra. Não há arte maior do que destruir o inimigo, sem lutar, para subverter qualquer coisa de valor no país do inimigo.
De tudo que vimos até aqui, nos foi apresentado inúmeros elementos que ilustram uma guerra silenciosa e real (digo isso, porque as matérias apresentadas buscaram traçar uma linha contínua, apontando diversos estratagemas, instituições e indivíduos que almejaram exercer, poder, domínio e controle sobre a sociedade ao longo da história).
Dito isto, a frase no início deste texto é de un Tzu (544 a.C. – 496 a.C.), um general, esrategista e filósofo chinês e principal nome relacionado a escola militar de filosofia chinesa. Ele é mais conhecido por seu tratado militar, A Arte da Guerra, composto por 13 capítulos de estratégias militares.
Aproximadamente, 500 anos antes de Cristo, este general havia formulado os métodos de subversão. Mas antes de continuarmos, caro(a) leitor(a), vamos ter em nosso horizonte de consciência o significado desta palavra – subversão – , pois é a partir de sua compreensão que faremos a nossa análise.
A palavra subversão vem do latim ‘subversio’, que significa o ato de destruir ou derrubar alguma coisa. Em latim, ‘subversio’ tem o sentido de uma ação que provoca destruição ou a inversão da ordem. A palavra ‘subversio’ vem da raiz ‘subvertere’, que significa virar de cabeça para baixo. Outro significado de subvertere é se rebelar e derrubar a ordem estabelecida.
Neste sentido, a estratégia de subversão na sociedade necessita de agentes e meios para se concretizar, seguindo basicamente (de acordo com uma cartilha da antiga KGB), estes passos: “cubra com o ridículo todas as tradições válidas no país do seu oponente; implique os líderes deles em matéria penal, e entregue-os ao escárnio da população na hora certa; interrompa o trabalho do governo deles por todos os meios; não afaste o auxílio dos indivíduos socialmente mais baixos e desprezíveis do país do seu inimigo; espalhe desunião e disputa entre os cidadãos; vire o jovem contra o velho; e seja generoso com promessas e recompensas aos colaboradores e cúmplices”. (FREYESLEBEN, 2020. In: Globalismo e Ativismo Judicial)
Para que estes métodos sejam estabelecidos, existem quatro etapas, tanto na guerra, quanto na paz, para que a subversão se consolide, a saber, desmoralização, desestabilização, crise e normalização. Cada uma destas etapas possui suas características.
Seu início parte do ataque aos valores básicos de uma sociedade (religião, educação, a moral, a política e o sistema legal), passando pela divisão da própria sociedade a partir da radicalização de suas relações sociais, que por sua vez irá desembocar no descrédito (das instituições detentoras da legitimidade popular – o Legislativo e o Executivo), culminando no colapso institucional, abrindo uma falsa necessidade, para que um poder centralizador dite os rumos da sociedade.
No mais, que possamos estar atentos(as) no que acontece a nossa volta, no dia a dia, daquilo que ouvimos e é propagado, para não sermos subvertidos a interesses os mais diversos, que por vezes desconhecemos, que se passam nos bastidores e nas entrelinhas das (des)informações, que circulam nas mídias, em inúmeras plataformas (sejam físicas ou virtuais) e na boca de muita gente, que não tem o compromisso com a verdade (apenas com seus interesses, revestidos de aromas, quimeras e tutti quanti, e não se aproximam da luz, para que suas obras não apareçam, porque na realidade são más).
E por fim, a síntese destas ideias, é de nos aproximar de uma reflexão profunda e séria, para não cairmos em modismos e falácias, não sermos instrumentalizados, e que leve em consideração esta constatação do filósofo Olavo de Carvalho: “O idiota útil, por definição, é idiota demais para saber que é útil e quem o utiliza”.











