Um agente nas sombras: Saul Alinsky e suas regras
A revolução se faz escondida. Este foi um dos lemas de um homem que optou por viver nas sombras e articular algumas táticas que passaram a influenciar as ações políticas no cenário norte-americano, e que inclusive encontraram guarida no Brasil. Saul Alinsky é seu nome. Mas afinal, quem foi ele, quais suas estratégias e como podemos identificar a presença de sua influência na sociedade?
Hoje convido você caro(a) leitor(a), a analisar o perfil de um verdadeiro estrategista na arte de manipular e persuadir, que colocou acima de tudo, os meios para justificar seus fins. Como parâmetro para verificarmos as suas ações, perceba o que o revolucionário defendia ao dizer que – organização e poder são as mesmas coisas: “Organização e poder, uma única coisa. A mudança vem do poder e o poder vem da organização. Para agir, as pessoas precisam se juntar. O poder é a razão de ser uma organização. (…) Quando as pessoas entram em acordo sobre certas ideias políticas e querem o poder para colocá-las em prática, elas se organizam e chamam a isso ‘um partido’.
Conforme dito anteriormente, ‘revolucionário’ define a personalidade de Saul Alinsky, que mesmo não sendo comunista e não acreditando no modo que o marxismo deveria ser aplicado, se inclinava aos preceitos filosóficos e políticos pregados por essa ideologia: ódio ao sistema capitalista, aos valores tradicionais, à família e às raízes judaicocristã – embora ele fosse judeu.
De acordo com a jornalista Camila Abdo em sua coluna no site PHVox, citando o livro: “Os EUA e o Partido das Sombras”, Saul Alinsky, não dividia as ‘classes sociais’, separando a sociedade entre opressores e oprimidos, mas sim em grupos de poder. Quem tem poder e quem não tem.
Na dedicatória do material de Alinsky (Regras para radicais), que já fora mencionado em outro artigo neste espaço, é de suma importância à nossa compreensão reproduzi-lo, fazendo a ponte que conecta a visão do autor sobre a sua proposta: Assim, “Devemos olhar para o passado e dar crédito ao primeiro radical de verdade, o primeiro radical conhecido pelo homem, que se rebelou contra o sistema, e que fez de forma tão eficaz que, pelo menos, conseguiu seu próprio reino: Lúcifer”.
Isto pode parecer apenas uma metáfora, mas carrega em si muitas camadas de símbolos e significados. No mesmo material são descritas as ações para que se consiga os objetivos na empreitada de colocar em ação seus planos de propagar a ruptura do tecido social. Desinformação, justificação dos meios pelos fins e, por último, a destruição do oponente, são ainda outros campos de atuação.
Em artigo publicado pela organização Brasil Paralelo em sua página, podemos ver a descrição de como sua estratégia foi aplicada num episódio de sua vida. Ele estava se reunindo com um grupo de militantes que tinham decidido fazer uma manifestação contra o Bush pai. Alinsky estava no meio do movimento, mas ainda era desconhecido da militância e as pessoas estavam discutindo sobre posições e ações.
Os militantes estavam sugerindo acusar o Bush pai de ser assassino e de apoiar racistas. Alinsky, então, compartilhou sua ideia: vestir alguns indivíduos com roupas da Ku Klux Klan (KKK), movimento mais racista da história dos EUA, para que, em determinado momento, no meio da manifestação, declarassem apoio a Bush. Para ele, isso seria muito mais eficiente do que um protesto de oposição.
Além disso, propôs que ligassem para jornalistas, a fim de que cobrissem a manifestação, para infiltrar-se, na mídia, produzindo uma narrativa de que a KKK apoiava o Bush. Como a investigação para descobrir se eram ou não membros da KKK e reportar a notícia real demora muito tempo, a notícia falsa já estaria disseminada.
Caberiam ainda aqui uma ampla discussão para explanar as regras propostas no livro de Saul Alinsky. Contudo, se você pode perceber, o revolucionário deixou escapar, talvez de forma inconsciente ou até mesmo intencional, que sua inspiração está naquele que é comumente chamado, o pai da mentira.
Por fim, quando você por assistir seu noticiário favorito, ou ler algum veículo de comunicação, tenha sempre no seu horizonte de consciência, que a mentira percorre o globo mais velozmente, do que a verdade é capaz de chegar.
Sabemos que a verdade prevalece, mas até lá, se pergunte: quantos estragos não foram ocasionados, porque acreditamos no que ouvimos, naquilo que nos foi passado como verdade, quando na realidade, era apenas um verniz, polindo a mentira, intenções e desejos escusos











