Chuvas provocaram estragos significativos em produções de cereais, leguminosas e oleaginosas
As recentes chuvas torrenciais que atingiram o Rio Grande do Sul, deixando um rastro de destruição e enchentes, não apenas representam uma calamidade para os gaúchos, mas também desencadeiam uma série de preocupações e desafios econômicos, especialmente no setor agropecuário. Com consequências que reverberam além da divisa do estado, o impacto das chuvas também é sentido em Santa Catarina e em todo o território nacional.
Antes do desastre natural, as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) eram otimistas para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no Rio Grande do Sul, esperando-se um crescimento robusto de 46,4% em comparação ao ano anterior. O estado, conhecido como um dos principais celeiros do país, é responsável por uma parcela significativa da produção nacional, destacando-se na produção de arroz e soja.
Contudo, as chuvas das últimas semanas provocaram estragos significativos. O estado gaúcho foi particularmente atingido, com perdas expressivas nas lavouras de soja e alagamento de silos de arroz. Segundo relatos do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, as perdas variaram em cada região, mas foram severas, com áreas inteiras de plantações submersas.
“Fomos seriamente impactado na cultura da soja, que ficou embaixo d’água. Isso é perda total. Mas já pegou bastante adiantada a colheita do arroz, acima dos 70%, 80%, o que colocou o arroz a salvo, a não ser por algum silo que ficou com 1 metro de água em sua base”, afirmou.
Área cultivada
O diretor técnico da Empresa de Extensão Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-RS), Claudinei Baldissera, afirmou que o setor agropecuário gaúcho foi severamente afetado. O impacto só não foi maior porque, segundo ele, 76% da soja e 83% do milho plantados no estado já tinham sido colhidos.
“A área cultivada de soja foi de 6,68 milhões de hectares, então isso significa dizer que ainda temos 1,6 milhão de hectares para serem colhidos. Provavelmente muitas lavouras nem serão colhidas. E a qualidade do grão daquelas lavouras que será possível colher certamente será muito baixa, com valor comercial prejudicado”, explica.
Dados da Federação das Associação de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) revelam que dos 142.137 hectares de arroz ainda por colher, cerca de 22.952 hectares foram totalmente perdidos e 17.903 hectares estão parcialmente submersos.











