De Lages, Anna Zechini teve seu EP premiado por um edital de alcanse estadual
A cantora e compositora, Anna Flávia Zecchini, mas conhecida como Anna Zechini, vem inovando com suas apresentações em ritmo tradicional, cheio de cultura brasileira e latina. A artista é natural de Lages e apesar de ter morado um tempo na Colômbia, no momento reside em Laguna. Local onde surgiu seu atual lançamento, um EP em homenagem a Anita Garibaldi, que foi premiado com um edital de alcance estadual.
A artista compartilhou que o seu gênero musical é o folk ou indie-folk. No Brasil, ele tem uma pegada mais tradicionalista, que remete a elementos da música folclórica. “Quando falamos de música tradicional no Brasil, a gente tende a pensar no sertanejo, ou em outros ritmos. Mais é um tipo de música que remete mais a elementos da música folclórica, da música tradicional”, explicou.
Segundo a compositora, seu setlist é na maioria autoral, sendo que possui diversas canções criadas por ela. “Nas minhas apresentações, 99,9% do repertório é meu, porque tenho bastante música. Então trabalho muito com o autoral. Mas, vez ou outra, acabo incluindo canções de outros artistas. Por exemplo, com covers de música tradicionalista. Então tem um contexto, um porquê dessa música estar dentro do meu repertório”, pontuou.
Os locais que normalmente se apresenta são espaços culturais, cafés, teatros e eventos mais específicos. “Não me apresento tanto em bares, ou esse tipo de coisa, porque faço um repertório mais autoral. Então, são espaços mais específicos, que tem essa abertura. Em que o público vai para ouvir uma música autoral”, destacou.
O começo da escrita
A cantora contou que a composição está na sua vida desde pequena. “Então, eu componho desde quando eu era adolescente. Na verdade, eu escrevo desde que era muito nova. E com o tempo fui musicalizando aquilo que escrevia”, compartilhou.
Em sua trajetória na música, Anna participou de corais e se formou em artes cênicas. “Foi um processo bastante natural. Cheguei a participar de um coral quando eu era criança. Cantei, por uns três anos, em Lages. Depois, fui migrando para as artes cênicas. Me formei nessa área na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em Florianópolis”, relatou.
Dentro desse ambiente criativo, a artista se conectou novamente com a música. “Tinha um amigo que era produtor, então comecei a produzir. Uma das minhas primeiras canções, eu mandei para um festival, que era da UFSC. E a canção passou e fiquei, tipo, ‘nossa que legal’. A música que faço pode se conectar com outras pessoas”, contou.
A partir desse episódio, Anna começou a produzir em Florianópolis. Após um tempo ganhou uma bolsa e foi realizar o mestrado na Colômbia. Na época, por conta da bolsa, não poderia trabalhar. “Tive bastante tempo lá para fazer música. Foi lá que comecei a desenvolver mais. Me apresentando bastante”, frisou.
Durante esse período a cantora viveu em vários locais no país, passando um tempo em Medelim e também em Bogotá. Ela lançou EPs, álbuns e videoclipes. “Fiz colaborações com artistas de lá. E fui me vinculando mais com essa ideia, de música e identidade latina. Que é uma coisa que, às vezes, a gente está meio distanciado. Principalmente aqui no Sul”, ressaltou.
Anna destacou que a música tradicional da região, está diretamente vinculada com a Argentina e o Uruguai. “Quando fui para lá, me conectei com algo que já tinha. Porque em Lages, a gente ouve muita música gaúcha e conserva essa cultura. E a música gaúcha, carrega essa influência do Uruguai e Argentina. E inclusive do idioma”, pontuou.
“É natural você ouvir músicas gaúchas em espanhol. Quando fui para Colômbia, me conectei com outro tipo de musicalidade em espanhol. Que é um latino mais para o norte. Então a salsa, a bachata, e às vezes até do reggaeton. E aí fui migrando e fui mesclando essa, tanto a musicalidade, quanto os elementos, naquilo que eu fazia. No início, eu comecei fazendo mais uma voz e violão, mais um MPB. Depois, passei a compor em espanhol também”, afirmou.
EP em homenagem a Anita Garibaldi
No dia 31 de julho de 2025, a cantora lançou seu último trabalho, um EP, com o nome “Heroína dos dois mundos”, que foi premiado com o edital Circuito Catarinense de Cultura, por meio da Fundação Catarinense de Cultura. A obra tem inspiração em Anita Garibaldi, e traz ambos os idiomas em suas canções, o português e o espanhol. “No momento estou em Laguna, então, dá para imaginar que nesse caminho, de ir e vir, fui me conectando com a história da Anitta”, contou.
No EP, a cantora traz cinco canções inspiradas na história de Anitta, desde a infância, batalhas, até o amor no encontro dela com o Giuseppe. Nesse processo foram lançados dois videoclipes das músicas, remetendo à estética da época. “A ideia não era narrar a vida de Anitta. Mas, a partir da história dela, construir um trabalho artístico. E a gente tentou resgatar também as sonoridades”, destacou.
Anna compartilhou que uma das canções que a marcou mais foi “Agosto”, em que a letra é inspirada em uma carta que Anitta editou antes de falecer. “Ela fala de memória, da morte dela também. Ela morreu no dia 4 de agosto. E nesse trabalho a gente resgatou nas letras. Por meio de um olhar meu, com uma leitura poética diferenciada. Ela é a que mais traz elementos”, pontuou.
“Nela falo das Chinas, do Seival, que era o barco do Garibaldi. Falo de lugares por onde a Anitta passou. Então, é o que mais remete a elementos históricos. E é muito forte, tanto a mensagem da música, quanto o momento que a ela está remetendo. Então, sinto que ela é a música que mais me marcou”, destacou Anna.
Confira o vídeo da música Agosto:
https://www.youtube.com/watch?v=uiIVYOiCuek&t=1s
Como as canções surgem
A cantora contou que para suas composições utiliza de dois meios, o sentimento e a pesquisa. “Existem músicas que faço a partir daquilo que sinto. Geralmente, gosto de pegar a guitarra e compor na guitarra. Ou por meio da pesquisa. Estabeleço um tema e a partir dele, busco a maneira de me aproximar”, relatou Anna.
“Então, existem esses dois caminhos. Um, diria, sendo uma expressão direta. E a outra é definir uma temática e buscar os caminhos para poder expressar aquela temática na minha linguagem. Do jeito que consigo me expressar”, compartilhou.
Desafios como mulher e espaço de conexão
Anna destacou que a maior dificuldade que enfrenta, por ser mulher, é o ambiente masculino. “Tem uma questão de validação. Não sei se por ser mulher, mas existe uma questão de validação. Em geral, o ambiente é mais masculino. Então às vezes, você tem que trabalhar com autoestima, se fortalecer naquilo que você faz e em que se acredita”, observou.
“No processo, encontrei mulheres muito incríveis, que me inspiraram, e ajudaram. Consegui me conectar muito com mulheres na música. E foi muito legal, acho que isso me fortaleceu muito. E quando você vê, que está junto a outras mulheres, você se sente bastante à vontade para ser você”, compartilhou.
Para saber mais sobre a artista e seus trabalhos é só acompanhar suas redes sociaisou entrar em contato pelo e-mail.











