A verdade desfigurada: por onde anda o propósito da eternidade?
O Natal é um obstáculo ao progresso moderno. Enraizado no passado, inclusive no passado remoto, ele não pode ser útil a um mundo em que a ignorância da história é a única evidência clara do conhecimento científico. Nascido entre milagres, relatados há dois mil anos atrás, não se pode esperar que impressione aquele senso comum robusto que pode resistir à evidência mais clara e palpável de milagres acontecendo neste momento.
Este é um trecho das reflexões de G. K. Chesterton(1874-1936) sobre o Natal. Gilbert Keith Chesterton, mais conhecido como G. K. Chesterton, foi um popular ensaísta, romancista, contista, teólogo amador, dramaturgo, jornalista, palestrante, biógrafo, e crítico de arte inglês. Chesterton é muitas vezes referido como o “príncipe do paradoxo”.
Hoje, caro(a) leitor(a), iremos realizar algumas considerações sobre a importância do Natal, que representa o nascimento Jesus Cristo, associando a dois eventos, a saber: o que representou a sua primeira vinda, e a promessa de seu retorno em alguma momento da história humana. Trataremos ainda de perceber a sua importância, apresentando em dois aspectos a relevância de sua vida, na história e sobre a ótica de alguns pensadores racionalistas.
Na divina trilogia histórica, a queda, a promessa e a esperança, a vida de Jesus Cristo é a promessa que se cumpriu na íntegra, com todas as evidências materiais de seu surgimento neste mundo, as condições de sua chegada e nascimento, todo o percurso até a morte no madeiro e sua ressureição ao terceiro dia.
Com o Natal, começa a se revelar o projeto redentor da humanidade, a possibilidade de encontrar a direção que é pululante na alma humana, na medida em que foi anunciado, como consequência natural de sua vida em nossas vidas, este era o anseio, “(…) o povo que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte”, e ainda é o da humanidade. Fincou um marco eterno na própria história,
Daqueles que não foram soberbos e se deixaram tocar, a sementeira se espalhou e transbordou, do lugar de seu surgimento, alcançou todos os continentes. Por onde anda em nossos dias, para além do personalíssimo cultivo que se permitiu ficar circunscrito as quatro paredes? A tão temida, como um parente distante, que sabendo de sua existência, não ousamos tocar seu nome – a morte – , e esta, morreu de medo ao ver Jesus Cristo nascer. Continuando…
No tocante a história, Tácito (55 – 120 d.C) foi governador da Ásia, pretor, cônsul, questor, historiador romano e orador. Em seus “Anais da Roma Imperial” mencionou Cristo e os cristãos de seus dias. No ano de 64 d.C, o imperador Nero mandou incendiar Roma e colocou a culpa nos cristãos: “Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infligiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício”.
Já entre os racionalistas do século XIX e XX, na perspectiva científica, mesmo na tentativa de contraditar, muitos afirmaram sua historicidade e transcendência. Dentre eles, o filósofo, historiador e escritor francês, Ernest Renan (1823-1892): Jesus com “seu perfeito idealismo, é a mais alta regra da vida, a mais destacada e a mais virtuosa. Ele criou o mundo das almas puras, onde se encontram o que se pede em vão à terra, a perfeita nobreza dos filhos de Deus, a santidade consumada, a total abstração das mazelas do mundo, a liberdade, enfim”.
O Natal encontra seu fim último, na representação da imagem que ilustra esta matéria, “a proposta é seguir adiante, o véu foi rasgado, e estamos sendo conduzidos, à eternidade.











