Diário O Município

Capa 5 - 350px X 400px - Podcast
350x400
previous arrowprevious arrow
next arrownext arrow
Shadow

900x500
900x500 - 1
previous arrowprevious arrow
next arrownext arrow
Shadow

Diário O Município

Rua São João Batista, 661 - Balneário Arroio Corrente

Jaguaruna/SC - 88715-000

Fone/Whatsapp: (48) 99671-3638

E-mail: [email protected]

Fundado em 07 de junho de 1997

Editor Chefe:
Reinor Marcolino (Reg.SC 02.423-JP)

Assessoria Jurídica:
Diógenes Luiz Mina de Oliveira (OAB/SC 26.894)

O Silêncio que Mata: A Realidade dos Policiais Militares

A cada 10 dias um policial militar se suicida no estado de São Paulo. Essa situação é alarmante, e esses casos merecem um estudo profundo das condições que levaram esses homens e mulheres a desistirem de viver, além de ações imediatas. Segundo um relatório da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, em parceria com o Conselho Regional de Psicologia SP e o Conselho Federal de Psicologia (material de 2019, único que encontrei disponível), foram realizadas entrevistas qualificadas com parentes, amigos, colegas de trabalho e comando dos policiais que tiraram suas vidas.

Em muitos casos, as pessoas próximas relataram mudanças de comportamento e sinais de que esses profissionais não estavam bem. Merecem destaque os casos de PMs retirados das ruas — que era seu sonho — e transferidos para atividades administrativas. Outro ponto importante é a pressão e a intensa cobrança que muitos policiais sofrem diariamente para desenvolverem suas funções. Também foram identificados outros fatores preocupantes: dificuldades financeiras, uso abusivo de álcool e problemas familiares. A pergunta que fica é: o que tem sido feito de forma efetiva para prevenir o suicídio entre policiais?

A Polícia Militar oferece acompanhamento religioso, consultas psicológicas presenciais e on-line, e muitos policiais hoje estão afastados das atividades ou cumprindo função administrativa desarmados.

Mas a verdade é que o policial militar tem receio de procurar ajuda oficial e dizer “estou com vontade de me matar”, porque sabe que sua arma será retirada. Ele também conhece as consequências: ele perde os bicos legalizados, já que não pode portar arma, e isso compromete ainda mais o orçamento familiar, que muitas vezes já é apertado. Além disso, um policial militar desarmado se sente desprotegido. Quando ele já está emocionalmente abalado, isso só aumenta a sensação de incapacidade e gera mais sofrimento ainda. Por isso, se faz necessária uma reciclagem urgente voltada para a saúde mental dos policiais — inclusive daqueles que não apresentam problemas no momento, porque eles podem ser capacitados para ajudar colegas que estejam em sofrimento.

A educação financeira também é fundamental, já que muitos policiais estão endividados pela enorme quantidade de empréstimos oferecidos a eles. Não é obrigação da Polícia Militar cuidar da vida sentimental dos seus profissionais (embora a arma utilizada pelo policial seja do Estado), mas é fato que muitos passam por desilusões amorosas e acabam tirando suas vidas. Em alguns casos, a tragédia é ainda maior quando envolve companheiras e filhos. Diante disso, o fortalecimento dos laços familiares, o combate ao álcool e às drogas e ações de suporte emocional são indispensáveis.

Palestras constantes e programas de sensibilização também são essenciais. A mensagem sobre a importância de continuar vivendo pode fazer a diferença na vida desses profissionais, além de mostrar o impacto devastador que uma morte causa nas famílias — que ficam destruídas, desamparadas e emocionalmente arrasadas. O trabalho de prevenção ao suicídio entre policiais precisa ser tratado como uma medida urgente de Segurança Pública, porque não são apenas números: são vidas interrompidas.

 

 

Sandra Campos — Ativista pela Vida. Se estiver precisando de ajuda me ligue (11) 94813-7799