O lançamento da obra, intitulada “Campo Bom: a comunidade e o balneário”, ocorre na sexta-feira, dia 2
Uma simples conversa entre os professores Celso de Oliveira Souza e Rodeval José Alves teve como resultado o livro “Campo Bom: a Comunidade e o Balneário”, que será lançado nesta sexta-feira, dia 2, às 19h30, no salão da igreja do balneário. Na ocasião também haverá missa de Ação de Graças e exposição cultural.
Para o professor Celso, escrever um livro não é algo incomum uma vez que ele desenvolve um trabalho de pesquisa na região de Orleans, o que já lhe rendeu outras obras. “Na verdade, esse não é o meu primeiro livro. Eu faço um trabalho de pesquisa, especialmente na região de Orleans e sobre a qual tenho algumas publicações. Sobre o livro que será lançado nesta semana posso contar que me interessei pelo balneário depois que passei a veranear no local e descobri a ocupação pelos açorianos, que é uma história bastante interessante”, disse.
Nativos
Souza ainda conta que em Balneário Campo Bom havia uma comunidade nativa, com uma forma de vida própria com dificuldades, simplicidade e limitações. “Não tinha escola, estrada, viviam nas casas simples as quais chamavam de taperas. A vida deles era baseada na pesca, na agricultura de sobrevivência, especialmente com a mandioca. Depois de conhecer um pouco sobre o local fui me interessando, pesquisando, e conversei com as pessoas que resolveram transformar o local num balneário. Depois disso o senhor João Manoel, proprietário de uma área de terra com mais de 60 hectares, resolveu fazer um loteamento; buscou por sócios, um deles Zefiro Giassi que muito contribuiu. Inclusive, foi ele quem escreveu a apresentação do livro”, ressaltou.
Morador avalia a importância da obra
Para Lauro Vilela, presidente da Associação de Moradores, o escrito deve permitir que as pessoas olhem para o balneário e para Jaguaruna com outros olhos. “Acho de suma importância este livro, pois conta a história do nosso Balneário Campo Bom e parte de Jaguaruna. Acredito que com seu lançamento muitas pessoas, inclusive de Jaguaruna, vão ver com outros olhos o nosso balneário, além de despertar interesse turístico para desenvolver ainda mais a nossa comunidade. Sem dúvidas haverá investimentos na nossa praia que é ótima e com diversos pontos de visitação. Agradeço aos professores Celso, Rodeval e Janete por acreditarem na possibilidade de relatar nossa história através deste livro e aos empresários que ajudaram concretizar essa realidade”, destacou.
A responsabilidade de contar a história
A influência dos açorianos na comunidade e as histórias de quem viveu o início do local estão perpetuadas na obra. Rodeval, que viu de perto a evolução de Balneário Campo Bom relata sobre o desenvolvimento da, à época, vila de pescadores. “Moro nesse local fazem 50 anos. Quando cheguei, a comunidade ainda estava dando os seus primeiros passos em termos de organização. Na época tinham caminhos, não havia estradas e não tinha energia elétrica, água e nem infraestrutura. Era, na verdade, uma vila de pescadores”, disse, acrescentando: “Eu estava visitando a região sul e fiquei sabendo que um novo balneário estava surgindo. Sai com a namorada, hoje esposa, para passear e chegamos naquela região. Percebemos a vegetação na beira-mar, paramos em um barzinho e, ali, conheci o dono da área loteada, o seu João Manoel Viana. Ele me mostrou os bosques do Campo Bom, aí foi amor à primeira vista”, completou.
Compromisso
“Nós temos o compromisso e a responsabilidade de levantar essa história, especialmente do sul de Santa Catarina. E a gente lança esse trabalho como uma pequena semente para despertar, de repente, alguma coisa que a gente possa fazer, escrever a história importante aqui do sul do estado que tem muito a ver com a cultura açoriana e com a exploração do carvão mineral. Além disso, nós não conhecemos, de verdade, a ocupação do nosso litoral. Sabemos que foram os açorianos, mas essas pessoas não faziam parte de um projeto de colonização, elas foram ocupando os espaços de forma espontânea. Foi o que eu vi em Campo Bom e a gente conseguiu registrar um pouquinho de tudo aquilo que tem naquela comunidade histórica, que é belíssima e interessante”, declarou.











