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Brasileiro com cabeça virada para trás é tema de pesquisa internacional

Ao nascer, Claudio Vieira recebeu apenas 24 horas de expectativa de vida. Hoje, ele tem 46 anos

Claudio Vieira é um brasileiro que nasceu com a cabeça virada para trás, a 180º, os braços colados no peitoral e as pernas atrofiadas.

Morador de Monte Santo, sertão da Bahia, Claudinho, como é conhecido pelos amigos, tem a doença artrogripose múltipla congênita (AMC).

Depois que nasceu, sua mãe ouviu dos médicos que ele teria apenas 24 horas de vida. Hoje, Vieira tem 46 anos e diz que, apesar de ter a cabeça sustentada pelas costas, as limitações físicas não o impediram de fazer as coisas que ele quis.

Uma pessoa consegue reconhecer facilmente um rosto familiar virado na vertical. Porém, é mais difícil reconhecer o mesmo rosto de cabeça para baixo. Para investigar mais a fundo o reconhecimento facial, os cientistas da Dartmouth College — uma das mais renomadas universidades dos Estados Unidos, fundada em 1769 — contam com a ajuda de Claudio Vieira.

Brasileiro com cabeça virada para trás auxilia cientistas a investigarem o reconhecimento facial

“Quase todo mundo tem muito mais experiência com rostos verticais e ancestrais cuja reprodução foi influenciada pela sua capacidade de processar rostos verticais”, diz Brad Duchaine, autor principal do estudo e psicólogo da Dartmouth College. “Por isso não é fácil separar a influência da experiência e dos mecanismos desenvolvidos adaptados para rostos verticais em participantes típicos.”

Por meio de estudos anteriores, os pesquisadores já sabem que a capacidade humana de processar rostos cai quando um deles é girado a 180º.

Mas ainda é difícil determinar se o motivo são os mecanismos evolutivos que moldaram as capacidades de processamento facial do cérebro ao longo do tempo ou simplesmente porque as pessoas interagem com os rostos na vertical, de acordo com o jornal O Globo.

Os cientistas começaram, então, a se perguntar como o brasileiro que nasceu com a cabeça virada para trás fazia o reconhecimento facial de outras pessoas. Há quase dez anos, eles testam a capacidade de detecção de rostos e correspondência de identidade de Vieira.

Os resultados mostram que o homem foi mais preciso do que os controles com detecção invertida e julgamento de efeito de rosto invertido. Ao mesmo tempo, ele obteve pontuações semelhantes em relação à correspondência de identidade facial.

Para os pesquisadores, os resultados sugerem que a habilidade humana com rostos eretos surge de uma combinação de mecanismos evolutivos e experiência.