Diário O Município

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Cerca de 24 horas presa dentro de um porta-malas, amarrada, vendada e sem alimentação. Essas foram as condições em que a menina, de 11 anos, sequestrada na madrugada dessa quarta-feira (23), no bairro Pio Corrêa, em Criciúma, foi submetida por cinco criminosos. As informações foram confirmadas pelas forças de segurança, em entrevista coletiva, nesta manhã, na sede da Delegacia Regional da Polícia Civil.
O delegado da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), Anselmo Cruz, destacou que a divulgação de informações, além de prejudicar as investigações, podem colocar a vida da vítima em risco. “Existe uma frente de trabalho que envolve a negociação e identificar localização dos criminosos a fim de diminuir esse risco. Essa é a parte de gerenciamento de riscos”, enfatizou.
Desde o início, ficou evidente que o sequestro foi planejado. “Não foi levada para nenhum local específico. Ficou mantida, ao longo de 24 horas, no porta-malas de automóveis. Amarrada, amordaçada, sem se alimentar. Parou em duas oportunidades, sem saber onde estava, apenas para fazer as necessidades”, esclareceu.

Alguns detalhes da coletiva:

Houve armação para que o pai não pudesse entrar com a criança em casa;
Pai e criminosos entraram em breve luta corporal, sem lesões;
Às 6h da manhã, os sequestradores fizeram o primeiro contato via rede social por meio de uma carta com exigências; como valor acima de R$ 11 milhões em 72 horas;
Autores do crime “não são aventureiros”, disse Yuri Miqueluzzi, delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Criciúma;
Ao todo, três veículos utilizados e preparados para o crime foram apreendidos;
Os carros utilizados no sequestro foram roubados em Içara há dois meses;
Celulares utilizados no caso foram analisados pela perícia;
A menina esteve nos três carros durante o sequestro.
Por volta de 6h da manhã, foi feito o primeiro contato em uma tentativa de extorsão mediante sequestro. “Fizeram uma carta com diversas exigências, entre elas, o pagamento de um valor superior a R$ 11 milhões. Não se tem explicação em relação a esse valor específico. Ao longo do dia, surgiram possíveis motivações para o crime. Nenhuma delas ainda confirmada”, comentou Cruz.
Ainda nessa carta, os criminosos exigiram que não fossem divulgadas informações para a imprensa e ninguém poderia ser preso. Além disso, o pagamento deveria ser feito em 72 horas. O que não foi feito. A grande divulgação do caso, segundo o delegado, foi o impulso para que o grupo saísse de Santa Catarina, algo que não estava planejado.
A criança não foi agredida fisicamente, mas recebeu ameaças de morte, de acordo com a Polícia Civil. Amarrada e vendada, ela foi deixada na beira da BR-101, na região de Três Cachoeiras, no Rio Grande do Sul.

O planejamento

A conclusão da Polícia Civil é de que o crime foi planejado há algum tempo. Três veículos que foram utilizados no sequestro foram apreendidos, um deles foi encontrado incendiado em Morro da Fumaça. Todos eles foram roubados há aproximadamente dois meses em Criciúma e Içara. Ainda segundo a PCSC, os criminosos estavam preparados para levar o crime adiante por, pelo menos, três dias.
O delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Criciúma, Yuri Miqueluzzi, deu mais detalhes sobre o caso. “Refém liberada. Uma pessoa presa. Investigação muito bem encaminhada. O que define o sucesso da operação é a refém salva e entregue à sua família. O resto a gente vai conseguir desenrolar com o andamento da investigação. Os autores desse crime não são aventureiros”, ressaltou.

O crime

Pai e filha voltaram para casa após o jogo do Criciúma quando foram surpreendidos por cinco criminosos por volta da meia-noite dessa quarta-feira (23). O portão principal de acesso à residência estava amarrado com uma corrente. Por isso, o pai teve que ir pelo segundo acesso, momento em que foi cercado por dois veículos.
Houve uma breve luta corporal e o pai foi imobilizado. Em seguida, os sequestradores capturaram a menina e fugiram, sem levar nenhum item de valor material. As guarnições do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar encontraram um dos carros incendiado às 00h40, em Morro da Fumaça. O automóvel foi utilizado no crime e estava com placas traseira e dianteira diferentes.
O suspeito que foi preso na tarde de quarta-feira (23) tem 22 anos e possui antecedentes criminais por tráfico de drogas. Acredita-se que ele teve envolvimento direto com o sequestro, porém, não saberia de todos os detalhes. As investigações seguem em andamento para capturar os demais envolvidos.